CHAPADA DO APODI

Fiscalização flagra 31 casos de uso irregular de agrotóxicos no Apodi

Ação de fiscalização integrada na Chapada do Apodi resultou em 31 casos de irregularidades sobre o uso e a venda de agrotóxicos. Ainda neste ano, a ação deverá chegar também ao Cariri e à Serra da Ibiapaba

Durante três dias de fiscalização em cinco municípios da Chapada do Apodi, 31 casos de irregularidades sobre a utilização de agrotóxicos foram registrados. Entre os problemas mais encontrados, o uso e descarte inadequado de embalagens vazias do veneno.

No Ceará, existe apenas um posto de recolhimento desse material, em Ubajara. Mais dois postos têm previsão de início de funcionamento marcado para este ano. Um deles, ainda em agosto, em Quixeré. Outras duas fiscalizações integradas, envolvendo pelo menos sete órgãos, deverão acontecer nas regiões do Cariri e da Serra da Ibiapaba ainda este ano.

A ação de fiscalização foi no início deste mês e foi a 24 propriedades rurais que utilizam agrotóxico e dez comércios que vendem o produto nos municípios de Limoeiro do Norte, Russas, Quixeré, Morada Nova e Tabuleiro do Norte. De acordo com o diretor de Sanidade Vegetal da Agência de Defesa Agropecuária do Ceará (Adagri), Tito Carneiro, o total de irregularidades representa uma melhora significativa desde a primeira fiscalização integrada, em 2013. “Na primeira vez, 70% dos locais visitados foram autuados”, afirma.

Dos casos irregulares, nove foram identificados pela Adagri, um pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) e 21 pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea). Participaram da fiscalização ainda o Batalhão de Policiamento Militar Ambiental (BPMA), a Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz), o Ministério Público Estadual (MPCE) e a Secretaria da Saúde (Sesa). Apesar de identificar situações inadequadas, os profissionais da Sesa não emitiram autos de infração.

A técnica da Coordenadoria de Desenvolvimento Sustentável da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), Viviane Monte, que coordenou a ação, destacou que a escolha da região se deu a partir de um diagnóstico que classifica o Estado em municípios críticos e vulneráveis em relação aos agrotóxicos. “Nós já sabíamos empiricamente, mas quando fomos para a tabulação de dados, verificamos que 79% dos municípios cearenses têm problemas de utilização de agrotóxicos”, afirmou.

Irregularidades

Além da questão das embalagens usadas de forma errada, os problemas encontrados são de utilização de produtos fora do prazo de validade ou até de procedência inadequada, além de falta de receituários agronômicos e de responsabilidades técnicas sobre compra e uso dos agrotóxicos. Alguns produtores chegam a usar produtos veterinários na agricultura. “O princípio ativo para produtos veterinários tem ação contra pragas da lavoura, embora seja proibido”, informou
Tito Carneiro.

Os danos, então, podem chegar aos alimentos. O diretor de sanidade vegetal da Adagri garantiu que o valor residual de agrotóxicos nas frutas e verduras consumidas “ainda não causa grande preocupação para a saúde humana”. Mas ele pondera que é preciso combater o uso de produtos não registrados. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)