FÉRIAS ESCOLARES

Brincar para recriar o mundo

Poder construir um brinquedo desperta um universo de criatividade. As férias são oportunidade de criar na companhia da família, num momento de aconchego e apropriação da vida

O Povo
VIA LÁCTEA Marcela, 4, e a mãe, a assistente social Mary Anne Filgueiras, 34, criaram a Via Láctea colorindo balões dourados com tinta guache, da cor de cada planeta. Os anéis de saturno foram feitos com CDs

Ela aproveitou parte da área de serviço de casa, no bairro Joaquim Távora, chamou os filhos e disse: “aqui vai ser um espaço só nosso, o da criatividade”. Professora e jornalista, Sara Rebeca Aguiar, 36, entende a diferença que faz no cotidiano dos filhos Gabriel, 5, e Lucas, 2, poder montar e desmontar os jogos e transformar as brincadeiras criando mundos. “Todos os dias eles perguntam: ‘mãe, o que nós vamos inventar hoje?’. É um momento só nosso”, diz.

Caixa de leite, garrafa pet, pote de iogurte. Todo esse material, que iria para o lixo, se torna a ferramenta ideal para fazer um brinquedo ainda mais prazeroso se criado pela própria criança. “Quando a gente fala em construir alguma coisa é uma atitude completamente diferente de comprar algo padronizado”, ensina o professor Marcos Teodorico, responsável pelo Laboratório de Brinquedos e Jogos (Labrinjo), da Universidade Federal do Ceará.

O professor aponta que é no jogo que a criança aprende a ganhar confiança, a vencer desafios e a lidar com o inesperado. “Quando você cria um brinquedo, você atribui um material simbólico e transfere emoções de diferentes naturezas, como alegria, tristeza, afeto, angústia, como uma forma de catarse”, conta.

E é por isso que a assistente social Mary Anne Filgueiras, 34, procura estimular que a filha Marcela, 4, a criar os próprios brinquedos. “O pai dela gosta muito de assistir a documentários sobre o Espaço. Dia desses, pegamos uma caixa de papelão, bexigas e palitos de dente e criamos a Via Láctea”, rememora.

Cristina Façanha Soares, professora da Faculdade de Educação da UFC, defende que a construção de um brinquedo deve passar por uma perspectiva do brincar livre, sem moldar o olhar da criança. “O papel do adulto é o de estimular, organizar os processos e os materiais para a criança explorar”, ensina.

Nas próximas páginas, o Ciência & Saúde usa o livro Cardápio de Brinquedos e Brincadeiras, lançado pela marca Nívea, para ajudar os pais a estimularem o verbo brincar com as crianças. Para Igor Oliveira, gerente de sustentabilidade da Nívea, o brincar traz a apreensão de valores culturais como socialização e convívio familiar da criança. Ao lado de Patrícia Sampaio, gerente Técnica de Saúde e Prevenção à Desastres, eles defendem que a interação com o adulto ajuda a criança a explorar o mundo com confiança e aprender a se comunicar. Vamos à brincadeira! (O Povo - é parceiro de oxereta.com)