INTERVENÇÃO JUDICIAL

COB decide futuro de Nuzman e teme intervenção judicial

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COB decide futuro de Nuzman e teme intervenção judicial

Membros do Comitê Olímpico do Brasil (COB) participam de assembleia geral extraordinária convocada após a prisão de Carlos Arthur Nuzman, e o consenso entre eles é que decisões precisam ser encaminhadas de maneira urgente na reunião no Rio. Caso contrário, existe o temor de que a crise da entidade possa evoluir ao ponto de haver intervenção judicial.

A situação se agravou após o último sábado, quando o cartola enviou aos remanescentes da cúpula do comitê carta em que se licenciou da presidência – que ocupa desde 1995. O ato o fragilizou ainda mais e abriu caminho definitivo para renúncia, que será debatida hoje. Por ora, o órgão tem sido comandado por Paulo Wanderley Teixeira, que era seu vice.

A assembleia do COB é formada por 41 pessoas, que vão de mandatários de confederações a outros indicados pelo próprio Nuzman. Algumas delas interpretam que a decisão dada pelo juiz Marcelo Bretas, na segunda, de manter Nuzman preso por tempo indefinido, é um indicativo de que o mero afastamento não vai satisfazer as autoridades como a polícia, a Justiça e o Comitê Olímpico Internacional (COI).

Por isso, a expectativa é que as discussões extrapolem os dois pontos indicados na pauta da reunião – deliberar sobre a sanção imposta pelo COI, que congelou repasses ao comitê brasileiro, e a carta de Nuzman – e tratem de outros pontos até recentemente tidos como intocáveis. Membros planejam pedir que sejam marcadas nova assembleia para discutir a eventual destituição de Nuzman, alterações de estatuto e até convocação de nova eleição.

O cartola pode até ser exonerado ou destituído hoje, mas o item precisa ser incluído na pauta de maneira emergencial. Isso requer aprovação unânime da assembleia, o que é improvável porque nela há integrantes próximos a Nuzman – como o ex-jogador de vôlei Bernard Rajzman, único membro brasileiro no COI.

À parte a questão da renúncia, outro ponto visto como crucial trata das eleições. Atualmente, para inscrever uma chapa no pleito presidencial, o concorrente, que obrigatoriamente deve ser um presidente de confederação, precisa comprovar por escrito apoio de dez pares, o que representa cerca de 1/3 de todo colégio eleitoral.
Isso passou a ser visto pelas autoridades e pelo COI como manobra de Nuzman para se manter no poder e terá de passar por mudanças. Alguns presidentes de confederações se reuniram na noite desta terça (10), no Rio, para tentar chegar a uma proposta conjunta para levar à assembleia. Eles querem que nova assembleia seja marcada o quanto antes para sacramentar alterações exigidas.

Intervenção
Na avaliação de alguns membros, se nada disso passar existe o risco real de a Justiça nomear um interventor para o comitê brasileiro. Dentro do contexto nacional no pós-Jogos do Rio-2016, não seria uma novidade. Entidades que tiveram medalhistas na última Olimpíada, as confederações de desportos aquáticos e taekwondo estiveram sob comando de interventores nomeados pela Justiça após irregularidades de seus presidentes. O problema é que uma virtual intervenção pode agravar a relação com o Comitê Olímpico Internacional. (O Estado)