JOGOS DIGITAIS

Cursos gratuitos capacitam futuros e atuais profissionais em jogos digitais

As inscrições estão abertas para o primeiro de uma série de três cursos à distância que o Ministério da Cultura oferece em parceria com a Abragames

Cursos gratuitos para capacitar futuros e atuais profissionais da área

O mercado de jogos eletrônicos deixou de ser considerado “coisa de criança”, e a cada ano se torna “brincadeira de adulto”. De acordo com a Associação Brasileira de Desenvolvedores de Games (Abragames), 61 milhões de brasileiros jogam online. Em 2017, o setor faturou RS 1,3 bilhão, segundo pesquisa realizada em parceria pela entidade e o Ministério da Cultura (Minc).

Por trás das plataformas de interatividade, existem os profissionais que pensam e projetam os games, que são os desenvolvedores. Com o objetivo de promover a capacitação desta área, o Minc e a Abragames lançaram o curso O Setor de Games no Brasil, na modalidade de educação a distância (EAD). Esse é o primeiro de uma série de três cursos para a capacitação dos futuros ou atuais profissionais na área de jogos digitais.

Os cursos serão disponibilizados gratuitamente na plataforma de cursos on-line Lúmina, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com carga horária de 30 horas. Ao final de cada modalidade, os participantes receberão atestado de conclusão. Para as dez primeiras pessoas que completarem os três cursos, haverá uma solenidade de entrega de certificado no BIG Festival deste ano, que ocorre entre os dias 27 e 29 de junho, em São Paulo.

A estudante de Design Digital da Universidade Federal do Ceará (UFC), campus Quixadá, Raíssa Barros, considera a iniciativa do Minc “ótima”, pois as pessoas que estão na área muitas vezes não possuem certificação já que aprendem por meio de videoaulas no Youtube, e só podem comprovar suas habilidades por meio de portfólio. “A carga horária também é bacana, pois é compatível com o mercado que não espera os anos de uma graduação”.

Raíssa destaca que um dos pontos positivos de desenvolver jogos no Ceará é a possibilidade de levar os trabalhos “Brasil e mundo afora”, além de “abrir os olhos dos investidores” para a mão de obra talentosa dos desenvolvedores locais. “O mercado cearense ainda está tímido, mas já possui bagagem de jogos que são resultados de trabalhos e projetos acadêmicos”, avalia.


SERVIÇO

O setor de games no Brasil: panorama, carreiras e oportunidadesCurso EAD GratuitoDuração: 30hÁrea: Economia CriativaNível BásicoInscrições: https://lumina.ufrgs.br/


7 DICAS

O coordenador do curso de sistemas e mídias digitais da UFC, Edgar Marçal, Compartilhou algumas dicas para quem pensa ou ja esta seguindo carreira na área de desenvolvimento de jogos digital.

Mercado de Jogos Digitais.

O mercado de jogos é extremamente dinâmico e amplo. Sobre a área de programação de jogos, o que posso dizer é que ele já foi mais difícil, mas hoje há muitas oportunidades para os desenvolvedores de jogos independentes. Por exemplo, conheço programadores aqui do Ceará que fazem jogos para empresas de outros países e são remunerados em dólar.

Portfólio é importante?

Não só importante, como é essencial. Independentemente de se você é um designer ou programador de jogos, sua experiência e sua formação farão diferença na hora de uma contratação, que pode ser efetiva ou temporária.

Por que devo saber outro idioma?

O domínio do inglês é muito importante porque abre portas para prestação de serviços para empresas de outros países. E, claro, se você desenvolve seu jogo em mais de um idioma, isso amplia e muito seu mercado, tendo em mente que o inglês é o principal idioma.

Para desenvolver jogos preciso saber jogar?

É algo a se considerar, mas não tão importante. Fornece uma noção sobre o que os usuários/jogadores querem, mas para se construir jogos precisa-se de muito mais. Recebemos muitos alunos que querem fazer jogos porque gostam de jogar. Mas muitos sentem dificuldades quando começam a perceber que para fazer bons jogos precisa-se de muito conhecimento e esforço.

É possível estudar enquanto joga?

Estudar para valer acredito que não seja possível. O que pode acontecer é que o jogador consiga pegar ideias para o jogo que vai desenvolver enquanto joga. Mas, insisto, ele precisa de muito esforço, além de jogar, para realmente produzir jogos interessantes.

Gostar de jogar é o primeiro passo para gostar de desenvolver?

Não necessariamente. Mas essa é a minha opinião e outras pessoas podem pensar diferente. Criar um jogo não é só programar, têm várias outras atividades como o desenho dos personagens e do cenário, construção dos sons, elaboração da narrativa, etc. Assim, entendo que gostar de jogar é um fator motivador, mas não é obrigatório nem é suficiente para se construir bons jogos. Isso vai depender de pessoa para pessoa.

Como me aprofundar no assunto?

Além da faculdade, e em paralelo a ela, é importante que o aluno consiga estagiar em empresas para ganhar experiência e complementar a sua formação. Após a faculdade, existem especializações e mestrados no Ceará, no Brasil e no exterior nos quais o desenvolvedor poderá aprofundar seus conhecimentos. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)