PRESIDENCIÁVEIS

Governo quer aprovar reforma como resposta a rebaixamento de nota

O rebaixamento na nota de crédito do Brasil tem sido usado como argumento do Governo para aprovação da reforma da Previdência, que deve ser votada em fevereiro

Reprodução
O ministro Henrique Meirelles e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, aspiram disputar a Presidência e têm rivalizado nos últimos dias

Uma notícia ruim — o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência Standard & Spoor’s — está sendo aproveitada pelos articuladores políticos do governo Temer como novo argumento de defesa da necessidade de aprovar a reforma da Previdência. O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, ainda na noite de quinta-feira, algumas horas depois da decisão da agência ser comunicada ao mercado, deu a senha do discurso que seria martelado ao longo de todo o dia de ontem: “que cada um agora faça a sua leitura. Muita gente acha que estamos superdimensionando a situação, mas não é isso. O Brasil precisa dessa reforma e todos os indícios nacionais e internacionais dizem isso”.

Líderes governistas na Câmara pretendem intensificar as articulações para que o texto seja aprovado em fevereiro, conforme já estava nos planos do Palácio do Planalto, antes mesmo da nova situação se apresentar. O mercado vê como possível e as autoridades temem que as duas outras agências de crédito mais acreditadas — Moody’s e Fitch — acompanhem o movimento e também rebaixem a nota do Brasil. Vice-líder de Temer, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) disse ontem ao O POVO que considera a decisão “rigorosa demais. E lendo a nota técnica, reforma da previdência foi uma questão que eles levaram em consideração”.

O parlamentar gaúcho entende a decisão da agência como um alerta poderoso aos parlamentares brasileiros. “Esse é um alerta e nós, deputados, que somos tão protagonistas quanto o governo, somos os responsáveis por esse momento econômico que o país começou a entrar. É um alerta”, advertiu.

Maia e Meirelles

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), também considera que o rebaixamento poderá ajudar o governo no esforço de aprovação da reforma da Previdência. No entanto, considera que a matéria somente não avançou na Casa devido às denúncias apresentadas pelo então Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer.

A manifestação de Rodrigo Maia foi, também, uma resposta indireta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que teria responsabilizado o Congresso pela proposta de reforma previdenciária não ter passado. Os dois ensaiam candidatura à sucessão do presidente Michel Temer e têm rivalizado nos últimos dias. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)


Saiba mais

A Proposta de Emenda (PEC) que altera as regras de acesso à aposentadoria tramita na Câmara desde o fim de 2016. A PEC foi aprovada em uma comissão especial da Câmara em maio do ano passado e, desde então, aguarda para ser analisada em plenário.

A tramitação da proposta, no entanto, ficou paralisada depois que chegaram à Câmara duas denúncias contra o presidente Michel Temer, apresentadas pela Procuradoria-geral da República. As acusações que pesaram contra Temer por crime de corrupção passiva, obstrução da Justiça e liderar organização criminosa foram derrubadas em plenário pelos deputados.

O quórum para aprovar a emenda é qualificado, precisa do apoio de 308 deputados, o que corresponde a dois terços do total de 513 parlamentares em dois turnos. A base governista ainda não conseguiu reunir os votos e a votação da reforma foi adiada para fevereiro.