EDITORIAL

Ceará aumenta investimentos em ciência e tecnologia

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Ceará aumenta investimentos em ciência e tecnologia

No momento em que o governo federal corta verbas para a ciência, tecnologia e inovação é animador observar que o Estado do Ceará resolveu trilhar caminho inverso. Cortes em ciência e tecnologia revelam incompetência, por parte de um governante em perceber que investimentos nessa área são cruciais ao desenvolvimento do país, principalmente nos tempos que correm, pois dessas matérias dependem a elevação ou o declínio de uma sociedade.

Por isso é louvável a atitude do governador Camilo Santana em destinar R$ 1,9 bilhão na área de ciência e tecnologia nos próximos 10 anos, conforme noticiou este jornal na edição de ontem. Em 2018, 1,01% da receita tributária líquida do Estado será destinada à Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), o dobro do que foi aplicado no ano passado. A meta é aumentar gradativamente o recurso, chegando a 2% em 2027, quando se cumprirá o artigo 258 da Constituição do Estado, que estabelece esse percentual a ser destinado à Funcap.

Inácio Arruda, titular da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, considerou “decisão histórica” o fato de o Estado ter reconhecido como “estratégicos” para o desenvolvimento do Ceará os investimentos em ciência, tecnologia e inovação. Para ele, o recurso aplicado nessas áreas se torna “fator gerador de riqueza”.

Otimista com o que está acontecendo no Ceará, o presidente da Funcap, Tarcísio Pequeno tem palavras duras para o que acontece no plano nacional. Para ele, está ocorrendo “uma verdadeira desmontagem” do sistema de financiamento da ciência e tecnologia no País. O orçamento do governo federal destinado à área vem sofrendo redução com o passar dos anos, caindo de R$ 8,7 bilhões (2014) para R$ 4,6 bilhões (2018).

Tarcísio afirma que com o aporte de recursos no Ceará será possível, por exemplo, implementar o programa Cientista/Chefe, que consiste em disponibilizar cientistas para atuarem em secretarias estratégicas - como Saúde, Segurança e Planejamento - para identificar soluções de ciência e tecnologia que possam ser utilizadas para melhorar os serviços. Para o presidente da Funcap também será possível incrementar a concessão de bolsas de mestrado e doutorado; expandir a pesquisa e inovação e conectar esses projetos com as universidades.

Quando se tem conhecimento que o Brasil é acometido da chamada “fuga de cérebros” - cientistas de ponta que deixam o País por não encontrarem aqui condições mínimas para desenvolverem seus trabalhos -, com prejuízos incalculáveis ao País, seria pedir demais que o governo federal se espelhasse no exemplo do Ceará aumentando os investimentos em ciência e tecnologia?  (O Povo - é parceiro de oxereta.com)