TECNOLOGIA

Cinco tendências já adotadas no Ceará

Empresas partem na frente e ganham evidência no mercado cearense à medida que investem em automação

Julio Caesar - O Povo
Cinco tendências já adotadas no Ceará

PROCESSOS SELETIVOS ONLINE

No sistema Ari de Sá (SAS), a entrega de currículo em papel faz parte do passado. Para saber as vagas em aberto e se candidatar, o interessado precisa fazer o upload do currículo no portal. O próprio sistema realiza uma primeira triagem com base no perfil do candidato. Em seguida, é aplicado um teste de português e raciocínio lógico, que é respondido online e corrigido por algoritmos.

Recentemente, para seleção de estágio, os candidatos passaram a mandar vídeos de um minuto pela plataforma, falando da cultura da empresa. A única etapa presencial é o da entrevista final.

“Disso a gente não abre mão. Só a avaliação humana consegue identificar a aderência do candidato à cultura da empresa”, afirma o gerente de Gente e Gestão do SAS, Edivar Marinho.

Os processos seletivos também ganharam nova dimensão. O último programa de trainee, com cinco vagas disponíveis, teve mais de 26 mil inscrições de todo o País, como a paulista Gabriela Bonício, que foi aprovada.

ROBÔS NA LINHA DE PRODUÇÃO DA INDÚSTRIA

Há seis anos, toda a linha de produção da granja cearense Avine, com 25 anos no mercado, é automatizada. Da alimentação das aves à colocação do ovo na embalagem, tudo é feito por máquinas. O operador do sistema ocupa a função que já foi do aviarista, em geral, trabalhador com pouca escolaridade e que fazia a colheita manualmente. Mesmo com a redução do quadro de funcionários à metade do que se tinha, a produção da empresa alcançou outro patamar. São mais de 1,3 milhão de ovos por dia.

Desde novembro passado, a companhia passou a usar uma tecnologia que imprime na casca do ovo o nome da empresa e a data de fabricação do produto. “Se fosse manual, não teria como ser feito.

É uma garantia a mais de qualidade para o consumidor, sobre a origem e quão novo é o produto que vendemos”, explica o coordenador de Qualidade da Avine, Júlio Oliveira.

Ele diz que, apesar de ser uma novidade no Ceará, em alguns países da Europa o procedimento já é obrigatório nesse segmento.

CIRURGIA ROBÓTICA

UMA DAS PRINCIPAIS tendências na área da saúde são as cirurgias robóticas. No Ceará, o Hospital Monte Klinikum foi o primeiro das regiões Norte e Nordeste a realizar este tipo de procedimento. De 2015 para cá, foram mais de 300 cirurgias urológicas, gerais e bariátricas realizadas pelo robô da Vinci.

O coordenador médico do Centro de Cirurgia Robótica do hospital, Marcos Flávio Rocha, explica que o procedimento trouxe avanços que vão desde fornecer uma visão tridimensional que permite ampliar a imagem em até 20 vezes do que se via a olho nu, maior precisão dos movimentos, além de reduzir os riscos ao paciente. “Mas claro que não substitui a decisão humana, vem para auxiliar a decisão”, diz.

De acordo com ele, o robô não reduziu a quantidade de profissionais na sala de cirurgia, mas exigiu deles uma qualificação maior para operar a máquina. Parte do treinamento dele, por exemplo, foi feito fora do País. No Brasil, existem 35 plataformas do tipo, mas, no mundo, o número já passa de quatro mil. “Eu acredito que, com cada vez mais robôs disponíveis, esses custos também caiam”.

LOJAS INTELIGENTES

Lojas menores, mas com a mesma quantidade de ofertas do online. Esta é a proposta da loja smart das Casas Bahia, inaugurada no último mês no shopping Riomar Kennedy. Dentre outras tecnologias embarcadas, é possível acessar o catálogo de produtos que não estão em exposição por meio de totens touchscreen. Até março, serão disponibilizados óculos de realidade virtual para melhorar a experiência de compra.

O conceito é multi-skill. Ou seja, ao invés de ter profissionais segmentados em funções como vendas, crediário, caixa e estoque, um único profissional acompanha o cliente da apresentação do produto à entrega. Sérgio Grossi, diretor de operações do Nordeste e Minas Gerais, diz que a mudança não visa enxugar quadros, mas atender a uma demanda do mercado. “O consumidor busca mais agilidade, facilidade e interação única. Não quer perder tempo em várias filas”, observa.

Ele ressalta que, se por um lado, uma loja menor demanda menos funcionários, por outro, abre a possibilidade para quem exercia função de caixa ou estoquista melhorar a remuneração com as comissões.

PORTARIAS VIRTUAIS

O dia a dia nas portarias já não é mais o mesmo. Câmeras, sensores e até aplicativos nos celulares dos moradores passaram a dividir e até mesmo substituir a função do porteiro. São as chamadas portarias virtuais que fazem a vigilância e controle do acesso aos prédios, de forma remota, por uma central de monitoramento. Em Fortaleza, a tecnologia está em mais de120 condomínios.

Alexandre Guilhon, diretor do grupo Viper, explica que a segurança e a economia desse tipo de operação costumam ser fortes atrativos.

“Hoje, para ter uma portaria funcionando 24 horas, são necessários quatro porteiros. O custo de uma portaria virtual não chega à metade”.

Ele afirma que, por enquanto, a substituição completa é mais indicada para prédio com até 40 unidades habitacionais. Nos prédios maiores, o serviço deve ser usado como complemento. “Muitos moradores ainda querem que o entregador vá até a porta. O que não existe em outros lugares. Mas a tendência é que a tecnologia ocupe mais espaços”, destaca.  (O Povo - é parceiro de oxereta.com)