ELEIÇÕES 2018

Bolsonaro silencia sobre veto de Tasso à sua candidatura

Assessoria do deputado diz que ele, de férias, não iria comentar a decisão do PSDB de vetar sua presença no palanque das oposições do Ceará na campanha de 2018

Agência Brasil
Jair Bolsonaro enfrenta onda de denúncias e diz que só deixará de ser candidato "morto"

O deputado federal Jair Bolsonaro optou pelo silêncio, mais uma vez, depois da decisão do PSDB cearense de vetar a presença dele, como candidato a presidente da República, no palanque que as oposições ao governo Camilo Santana (PT) montam para as eleições de 2018. A assessoria do parlamentar, procurada ontem pelo portal O POVO Online, informou que ele está de férias e não iria comentar o assunto. “O deputado (federal) pediu para ser chamado apenas em caso de urgência”, posicionou-se a assessoria.

O senador Tasso Jereissati, principal liderança tucana no Estado, explicitou a posição do partido em relação a Bolsonaro durante reunião na noite de segunda-feira, da qual participaram representantes de outros partidos envolvidos com o processo de construção do palanque oposicionista. O presidente da executiva do PSDB no Ceará, Francini Guedes, explica a razão do posicionamento partidário. “Nós achamos que ele (Bolsonaro) não é bom para o País”, afirmou Francini.

"Grande parte da minha militância voluntária, que veste a camisa, que segura a bandeira de graça, até porque não posso pagar, é de eleitores do Bolsonaro"

Capitão Wagner, deputado estadual


O candidato da oposição para disputar o governo estadual ainda é incerto, apesar de o deputado estadual Capitão Wagner (PR) ser, hoje, uma espécie de consenso como melhor opção. No encontro da segunda-feira, o nome dele e o de Tasso Jereissati estiveram em debate, mas o senador tem deixado claro que não se dispõe a tentar um quarto mandato de governador do Ceará. A assessoria do tucano esclareceu, ontem, que não houve convite dele ao parlamentar para que assumisse já uma posição de candidatura.

Para Wagner, a proibição do nome de Bolsonaro é um problema. “Grande parte da minha militância voluntária, que são aquelas pessoas que vão para a rua, vestem a camisa, seguram a bandeira de graça, até porque não posso pagar, é de eleitores do Bolsonaro”, avaliou o deputado estadual.

Candidato

Na noite desta quarta-feira, 10, Bolsonaro afirmou em vídeo publicado em rede social, que só deixa a candidatura à Presidência “tirado na covardia ou morto”. A declaração foi feita em resposta ao jornal Folha de S. Paulo, que publicou matéria sobre o crescimento do patrimônio do parlamentar e da família — avaliado hoje em cerca de R$ 15 milhões —, adquirido durante o exercício de cargos políticos.

A Folha de S. Paulo publicou nova denúncia contra o deputado ontem, acusando-o de ter usado verba de desempenho para empregar uma vizinha em um distrito a 50 km do centro de Angra dos Reis. Walderice Santos da Conceição figura desde 2003 como funcionária do gabinete de Bolsonaro, mas não tem expediente em Brasília. Nos registros oficiais da Câmara, Walderice aparece como funcionária com um salário bruto mensal de R$ 1.351,46. Em outros mandatos de Bolsonaro, no entanto, a vendedora de açaí já figurou em categorias superiores de assessores parlamentares, com salários que poderiam chegar aos R$ 14 mil.

Bolsonaro nega que Walderice seja funcionária fantasma. O deputado disse que ela manda notícias interessantes ao mandato da região, mas não soube especificar que serviços ligados à sua atuação como deputado que ela prestaria. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)