ESTADOS UNIDOS

Deputados pressionam por regulamentação de redes sociais

Zuckerberg admitiu que o Facebook coleta dados inclusive quando o usuário não está logado na plataforma. Parlamentares defendem regulação

CHIP SOMODEVILLA / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
Zuckerberg foi pressionado por deputados desde o início da sessão

Sob forte pressão na Câmara dos Deputados nos Estados Unidos, o presidente executivo (CEO) do Facebook, Mark Zuckerberg, declarou que a regulação das redes sociais é “inevitável”. Ele foi questionado por parlamentares sobre a coleta de registros de pessoas fora da plataforma. “O Facebook tem perfis de pessoas que nunca assinaram a plataforma?”, indagou o deputado Ben Luján. “Temos dados de pessoas não cadastradas por razão de segurança”, admitiu Zuckerberg.

A deputada Debbie Dengell citou como exemplo botões de compartilhamento de textos pelo Facebook que permitem rastrear qualquer pessoa na internet. 

“Vocês têm rastreadores na web. Não importa se você tem conta. Por meio dessas informações, podem coletar informações sobre todos nós”, disse.

Ele negou que o Facebook esteja gravando conversas pelos microfones dos celulares. Entretanto, admitiu que o recurso de reconhecimento facial inclui também pessoas presentes em fotografias que não estão cadastradas na plataforma.

Ele confirmou que dos usuários cadastrados são coletados não só registros do que é publicado e compartilhado, mas também atividades realizadas quando a pessoa não está logada na plataforma, como sites visitados. Quando questionado sobre a razão dessa prática, justificou que esses procedimentos ocorrem “por razões de segurança” e para subsidiar a difusão de anúncios.

O presidente da empresa revelou ainda que está entre os 87 milhões de usuários que tiveram suas informações coletadas pelo quiz This is your digital life, criado pelo pesquisador Aleksandr Kogan e depois vendidos à empresa de inteligência Cambridge Analytica.

Diante da descrença de se manter privacidade, parlamentares defenderam legislações voltadas à garantia dos usuários. Alguns congressistas informaram que apresentarão propostas e convidaram o fundador do Facebook para contribuir com o debate. Ele reiterou que não é contra a regulação, mas defendeu que é preciso discutir o conteúdo. Em vários momentos, Zuckerberg se mostrou incomodado com os questionamentos. Alguns deputados, para otimizar o tempo de quatro minutos de questionamento, pediram a Zuckerberg para que ele respondesse apenas sim ou não às perguntas. O executivo se mostrou irritado com o método Na ocasião, ele reafirmou que sua companhia não vende dados dos usuários.

Ele foi questionado pelo fato de a britânica Cambridge Analytica, que trabalhou na campanha à presidência de Donald Trump, ter acessado dados de dezenas de milhões de usuários da rede social. Ele também comentou que pretende atuar para evitar problemas de eventuais interferências indevidas em eleições neste ano, citando entre os exemplos a do Brasil.

O executivo afirmou que houve um erro no episódio da Cambridge Analytica e pediu desculpas. “Comecei o Facebook e, no fim das contas, sou o responsável”, disse aos deputados. Segundo ele, a rede social tem trabalhado para apurar o que ocorreu exatamente e para evitar problemas do tipo. “Não fizemos o suficiente para evitar que nossas ferramentas fossem usadas para o mal”, admitiu, prometendo melhorias. (O Povo com agências)


DAD0S VAZADOS

A audiência foi motivada pelo escândalo do vazamento de dados de 70 milhões de usuários por um desenvolvedor de um aplicativo para a empresa britânica de marketing digital Cambridge Analytica (CA).

ELEIÇÕES DOS EUA

A CA teria usado essas informações para influenciar as eleições de 2016 a favor de presidente Donald Trump. O repasse foi revelado por jornais dos Estados Unidos e do Reino Unido em março.