LAVA JATO

MPF diz que Delfim Netto levou R$ 15 mi de propina por Belo Monte

Polícia Federal e Procuradoria da República cumpriram mandados de busca e apreensão na casa e no escritório do ex-ministro na operação Buona Fortuna

FÁBIO BRAGA/FOLHAPRESS
Delfim Netto foi ministro nas ditaduras de Costa e Silva, Médici e Figueiredo

O procurador Athayde Ribeiro Costa, membro da força-tarefa da Operação Lava Jato, disse ontem que o ex-ministro e ex-deputado federal Antonio Palocci foi o porta-voz do Governo Federal no recebimento de propinas, destinadas ao PT e ao MDB, de construtoras que atuaram na obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

De acordo com o procurador, Palocci foi quem direcionou ao ex-ministro da Fazenda e ex-deputado federal, Delfim Netto, 10% da propina (ou R$ 15 milhões) paga pelas empreiteiras. Segundo as investigações do Ministério Público Federal (MPF), Delfim chegou a receber R$ 4 milhões do montante. Delfim Netto foi alvo ontem da operação Buona Fortuna, na 49ª fase da Lava Jato, que cumpriu dez mandados de busca e apreensão. Houve busca na casa e no escritório de Delfim. O empresário Luiz Appolonio Neto, sobrinho de Delfim, também foi alvo da ação. O MPF apontou que pagamentos eram feitos em dinheiro vivo e em depósitos a empresas de Appolonio Neto.

Segundo o MPF, Delfim Netto seria destinatário de R$ 15 milhões do Consórcio Norte Energia (formado pelas empresas Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS e J. Malucelli), por meio de contratos fictícios de consultoria. Além dos 10% remetidos a Delfim, o consórcio teria enviado propina aos partidos MDB e PT. De acordo com o MPF, cada um dos partidos recebeu 45% dos valores.

O grupo de empresas pode ter sido favorecido no leilão de concessão de Belo Monte.

O Ministério Público usou informações obtidas pelos acordos de leniência firmados com a Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht, além da quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico. No caso da Odebrecht, os pagamentos direcionados a Delfim Netto vinham com o codinome Professor. A defesa de Delfim informou em nota que o cliente não ocupa cargo público desde 2006 e não cometeu nenhum ato ilícito em qualquer tempo. “Os valores que recebeu foram honorários por consultoria prestada”, diz.

Já a defesa de Luiz Appolonio Neto refuta “veementemente” as acusações.



(Agência Brasil)