VELEIRO CUAUHTÉMOC

Centenas de curiosos vão ao Porto do Mucuripe para conhecer navio da Marinha mexicana

De passagem rápida por Fortaleza, o "Navio Escola Veleiro" Cuauhtémoc segue para o Rio de Janeiro, para dar início a regata internacional do Chile

Mateus Dantas/OPOVO
Centenas de curiosos vão ao Porto do Mucuripe para conhecer navio da Marinha mexicana

Centenas de cearenses e turistas aproveitaram a oportunidade única de conhecer um veleiro internacional na tarde desta terça-feira, 13. Atracado no Porto do Mucuripe, em Fortaleza, o Navio Veleiro Cuauhtémoc, da Marinha mexicana, recebeu, em seis horas de visitação gratuita, mais de 300 turistas, de acordo com cálculos preliminares do comando da embarcação.

Inicialmente, a janela de visitação gratuita ao navio abriu às 13 horas e estava programada para fechar 17 horas. Uma fila gigante, que chegava a dar uma volta quando já próxima em limites do Porto, ganhou a simpatia dos anfitriões mexicanos. Ao todo, são 237.

Entre os tripulantes, 57 são cadetes em formação na Marinha mexicana. Destes, 9 são mulheres.

Assim, por pelo menos seis horas, o perímetro do Cuauhtémoc no Porto de Mucuripe foi uma mistura bem equivalente dos idiomas dominantes na Américas do Sul. Se eram feitas perguntas em português, os marinheiros espremiam as testas para compreender e se fazer entender na resposta. "No comprendo", contudo, era a regra. Quando nada mais dava certo, os curiosos recorriam à velha mímica para saber informações do passeio.

Dona Artemísia, 58, veio de Sobral. Não para ver o navio, mas veio a calhar. "Pensei: 'já que estou viajando, vou ao menos conhecer algo'", conta. A curiosidade direcionou a agenda de turismo de dona Artemísia para o Porto do Mucuripe. E, em poucos minutos a bordo, já avaliava que a espera de mais de uma hora na fila valeu a pena. "Tô sentindo o balançado já, e a emoção de estar navegando."

A tripulação do Cuauhtémoc

Essa emoção vai fazer parte de oito meses da vida de cadetes como Luis Alberto Moreno Ledezma, 21. É o tempo até ele desembarcar do Cuauhtémoc, que é oficialmente um "Navio Escola Veleiro", após o término do período de treinamento do curso de Ciências Navais da Marinha mexicana, que será de cinco anos.

Como Ledezma, os cadetes embarcaram fevereiro, e devem sair pouco depois de cumprir o cruzeiro da regata internacional, no qual estão empenhados.

Regata internacional Velas Latinoamérica

O navio veleiro veio do Panamá e passou 19 dias navegando para chegar em Fortaleza. Mas está apenas de passagem. Já nesta quarta-feira, 14, segue Rio de Janeiro, onde deve chegar no dia 25 de março e ficar até o começo de abril.

De lá, parte para o Chile, o seu destino principal. No país do extremo-sul das Américas, participará da terceira edição da regata internacional Velas Latinoamérica, que cai na data de comemoração do bicentenário da Proclamação da Independência chilena.

Junto dele, mais 11 veleiros (do Chile, Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Espanha, México, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela) zarparão na viagem que durará quase seis meses (finalizando-se em 2 de setembro), com passagem pelos portos de Punta del Este e Montevidéu (Uruguai); Buenos Aires e Ushuaia (Argentina); Cabo Horn, Punta Arenas, Talcahuano, Valparaíso e Antofagasta (Chile); Callao (Peru); Guayaquil (Equador); Balboa (Panamá); Curaçao; Cartagena de Indias (Colômbia); La Guaira (Venezuela); Santo Domingo (República Dominicana); Cozumel (México, ilha do Mar do Caribe) e finalmente Veracruz (México).

O Cuauhtémoc

Com a "missão de levar a paz dos mexicanos para todo o mundo", como fala o cadete Ledezma, o Navio Veleiro completou 36 anos, tendo sido instituído pelo governo mexicano em 1982, assinado pelo próprio presidente à época, além de servir como treinamento dos graduandos da Marinha. O veleiro leva o nome do último governante asteca (que viveu entre 1502 e 1525) antes da invasão espanhola.

Acima da tripulação, se hasteia com esplendor (e orgulho também) a chamada "bandeira monumental" do México, com mais de 7 metros de largura. Perde em extensão apenas para as maiores velas, que chegam a alcançar 20 metros de largura quando desfraldas – sendo 23, no total, intercalando-se os tamanhos de acordo com a altura que ocupam no veleiro.

Durante os oito meses de vida no mar, os jovens cadetes tem comunicação limitada com familiares, através de um sistema de correio digital. "Pode ser usado sempre que se quiser, mas não tem imagem ou áudio: é só texto mesmo", diz Ledezma.

A motivação compensa. Ledezma jura que o empenho em "ganhar" a regata internacional é real, e o sonho de chegar em primeiro no destino final motiva a todos os cadetes. "Se ganharmos, todos iremos receber uma menção honrosa (do presidente), e uma medalha. Queremos vencer." (O Povo - é parceiro de oxereta.com)