FLORESTA NACIONAL DO ARARIPE-APODI

Guia reúne 89 espécies vegetais da Floresta do Araripe-Apodi

Guia reúne imagens e informações sobre 89 espécies vegetais da região do Cariri

MATEUS MONTEIRO EM 10/10/2014
Chapada do Araripe, ao fundo: região foi objeto de estudo durante um ano e meio

Durante um ano e meio, pesquisadores do Ceará, Pernambuco e Paraíba trilharam a Floresta Nacional do Araripe-Apodi. Pelas veredas abertas onde o Cariri é mais verde, atravessaram cerrado, carrasco e floresta úmida, registrando a diversidade da flora. Murici branco, maracujá do mato, besouro, pequi. A travessia foi resumida em 130 imagens de 89 espécies vegetais pertencentes a 35 famílias.

O Guia de Plantas da Floresta Nacional (Flona) do Araripe-Apodi está disponível no site do The Field Museum, de Chicago (EUA). O endereço virtual hospeda guias de plantas, animais, algas, fungos e liquens de várias regiões do mundo.

No semi-árido cearense, o projeto envolveu a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Universidade Regional do Cariri (Urca), Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

A produção do catálogo começou em 2016 e durou cerca de um ano e meio, dividido entre coleta em campo, herborização do material e identificação das espécies. A equipe percorreu trilhas dentro da floresta, indo aos mesmos lugares em épocas diferentes para identificar períodos de flores e frutos e coletar amostras de plantas.

O nome Araripe, "habitação das araras", foi dado pelos índios tupis, embora os habitantes daquela região fossem os índios da nação Cariri.

Chamar a atenção de pessoas, especialistas ou não, para a diversidade vegetal e ajudar na identificação dessas plantas no campo são aspectos que demonstram a importância do Guia, de acordo com Iracema Loiola, professora da UFC e coordenadora do projeto Flora do Ceará. Para ela, o trabalho tem benefícios como permitir conhecer a distribuição das espécies; se são novas, endêmicas ou raras; além do potencial de uso e da indicação de novas ocorrências em determinado local.

Integrante do projeto Flora do Ceará desde 2015, Rayane Ribeiro, doutoranda da Universidade Federal Rural de Pernambuco, acredita que a informação visual do catálogo atrai o público leigo. Mesma opinião tem Rubens Teixeira de Queiroz, professor da Universidade Federal da Paraíba, que ressalta a importância do trabalho para quem desconhece a riqueza vegetal do local onde vive. “O Guia disponibiliza informações e imagens para que pessoas que moram nesses lugares tenham sentimento de pertencimento, passem a conhecer e a preservar”, afirma.

“O catálogo em si foca mais no aspecto morfológico das flores e na identificação para subsidiar pesquisadores”, explica a professora Maria Arlene Pessoa da Silva, da Universidade Regional do Cariri.

Segundo ela, há muitos anos, a Flona e a Chapada do Araripe vêm sendo estudadas por profissionais de todo o País. Assim, pesquisas anteriores ao Guia já haviam sido feitas, como a publicação, em 2015, de um capítulo de livro sobre a flora da Chapada do Araripe.

De acordo com a professora Iracema Loiola, o estudo continua e, à medida que é aprofundado, podem ser descobertas novas espécies.

Para ela, a maior contribuição do Guia é divulgar a variedade da flora para conservar e pensar em usos sustentáveis. “A gente está preocupado com os levantamentos em geral envolvendo a parte ecológica, tentando associar à parte de botânica, que é a parte taxonômica, para conhecer (a flora)”, enfatiza.

Iniciado em 2009, o projeto Flora do Ceará já rendeu 13 monografias de trabalho de conclusão de curso, 21 artigos publicados ou aceitos e seis catálogos. Em breve, está prevista a publicação dos guias de Ubajara e da Fazenda Experimental Vale do Curu, em Pentecoste. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)


TIPOS DE VEGETAÇÃO

Chapada do Araripe

Cerrado: espécies vegetais com formato tortuoso, solo mais rico em alumínio, caules retorcidos, ambiente mais aberto que a mata úmida, pobre em espécies de cactáceas.

Carrasco: hábito pequeno, os caules são mais retilíneos em comparação à caatinga, presença de trepadeiras (cipós), sem espinhos. As espécies vegetais estão próximas e entrelaçadas.

Floresta úmida: espécies linheiras, com altura superior a dez metros, pobre em gramíneas e muito rico em matéria orgânica morta formada por folhas secas e galhos. Esta área florestada ocorre sob um clima tropical, com dois períodos bem distintos: um chuvoso e outro seco.

Apesar da sazonalidade na precipitação, mantém mais de 80% da cobertura foliar durante todo o ano.