NEGOCIAÇÃO

Setores se movimentam para viabilizar stopover em Fortaleza

Mesmo que apenas de passagem, o setor turístico quer fazer o viajante ficar alguns dias na Cidade antes dele voar ao destino final

Fco Fontenele / O POVO
O crescimento da movimentação no Aeroporto de Fortaleza favorece o turismo

As chances de Fortaleza se tornar ponto de stopover - quando o passageiro faz de maneira voluntária escala ou conexão com duração maior que 24 horas - anima hotéis e restaurantes na Cidade. Para o setor turístico, a prática pode garantir aumento considerável no número de turistas, mesmo que num curto prazo de tempo, gerando emprego e renda. Esse é o sentimento dos responsáveis pelos hotéis da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Ceará (ABIH-CE).

Segundo Eliseu Barros, presidente da ABIH-CE, os associados à entidade já ofertam tarifas diferenciadas para quem se vale do mecanismo de parada. “É mais uma facilidade que estamos oferecendo ao turista. Muitas vezes, esse tipo de consumidor compra através de uma operadora. Nesse sentido, ofertamos essa tarifa diferenciada. Acredito que no período de baixa estação ela será bem comercializada”, avalia.

Abrir mão de um pouco da margem de lucro não traz prejuízos aos estabelecimentos, mas agrega mais uma forma de ganhos. “É perfeitamente possível adotarmos alguns descontos para os turistas que se utilizam do stopover. Assemelha-se a uma pré-venda. Passaremos a ter um cliente que antes não nos visitava”, explica Moraes Neto, presidente do Sindicato de Restaurantes, Bares, Barracas de Praia, Buffets e Similares do Estado do Ceará (Sindirest-CE).

“É interessante para o nosso dia a dia. Ainda não conversamos com nossos associados, mas acreditamos que a receptividade será boa, já que você incrementa os estabelecimentos com mais gente”, assegura Rodoplhe Trindade, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Ceará (Abrasel-CE).

No diálogo com as aéreas para o stopover, as negociações com a portuguesa TAP estão avançadas. “Até o momento, a TAP mostrou interesse de stopover em Fortaleza, assim como ocorre em Lisboa. Contudo, não será apenas a companhia portuguesa (a ser trabalhada). Não conversamos com a Air France-KLM, mas sabemos que eles possuem esse sistema em voos para Paris (França) e Amsterdã (Holanda). Isso (interesse) dependerá da companhia aérea. Depois entra a iniciativa público-privada”, ressalta Régis Medeiros, titular da Secretaria Municipal do Turismo de Fortaleza (Setfor).

Com a TAP, é estudado programa de cadastro de hotéis, restaurantes e bares parceiros. “Nossa reunião com a empresa portuguesa tem essa finalidade, criando uma rede de benefícios que incentive ainda mais o cliente a ficar em Fortaleza. Faremos o convite aos empresários, por meio de suas entidades. Chamaremos também os receptivos e os que realizam passeios etc”, adianta.

Cada estabelecimento ficará responsável por aderir ou não ao programa, conforme complementa Régis. A data do encontro ainda não foi definida. (O povo - é parceiro de oxereta.com)


PARCERIA COM TAP

Com a TAP, o setor turístico do Estado estuda um programa de cadastro de hotéis, restaurantes e bares parceiros para que o stopover possa ser viabilizado para Fortaleza


ALGUNS EXEMPLOS DE PARADA NO MUNDO


Royal Air Maroc - Aeroporto de Casablanca, Marrocos

Turkish Airlines - Aeroporto de Istambul, Turquia
TAP - Aeroporto de Lisboa ou Porto - Portugal

American Airlines - Aeroportos de Miami, Nova York, Dallas e Los Angeles
Latam - Aeroportos de Santiago (Chile) e Lima (Peru)

VANTAGEM PARA O PASSAGEIRO

Uma vantagem para o passageiro que utiliza o stopover é o fato de ele não pagar a mais por um trecho. Assim avalia Carlos Grotta, especialista em Transporte Aéreo e Infraestrutura Aeroportuária. “Ele pode fazer uma escala prolongada em um destino. A soma de dois trechos, sem o stopover é muito mais cara”, diz. Mas o preço dependerá da companhia aérea. Pode ser que a empresa cobre um valor por isso. Se cobrar, ainda é mais barato do que compra dois trechos de uma viagem.

Para o desenvolvimento da prática, no entanto, deve-se estimular serviços e atrativos turísticos. “Criar festivais, feira e outros dispositivos para a atrair os turistas são formas de consolidar Fortaleza como um centro de stopover, como acontece hoje com Lisboa”, complementa.

ESTADO FOI PROCURADO PELA TAP

O Governo foi procurado pela TAP sobre a possibilidade do stopover. Arialdo Pinho, titular da Secretaria do Turismo do Estado (Setur), diz que o que for de competência estadual será analisado. “Pedimos à TAP um estudo para saber juridicamente como se trata. Chamei o Régis Medeiros (Setfor) para avaliar. Pelo documento, saberemos como o modelo irá funcionar com as leis brasileiras”, disse.

O QUE É

ENTENDA O MODELO

Como funciona?

Imagine que você vai fazer uma viagem do Brasil ao Japão. Como o percurso é longo, as empresas optam, ou precisam fazer, uma escala ou conexão em algum ponto no meio do caminho, como em algum país da Europa. Você decide, por exemplo, desembarcar na França. Se tem tempo, pode querer aproveitar Paris e passar uns dias na capital francesa antes de seguir para o Japão. A parada se chama stopover. Você desce em um destino intermediário, passa uns dias e depois segue a viagem.
Quem pode fazer?

Os stopovers podem ser feitos sempre que haja escala ou conexão em seu voo, seja ele nacional ou internacional, mas dependem de autorização da empresa e precisam ser previamente acordados. As empresas que permitem a parada podem cobrar uma taxa por ela ou oferecê-la gratuitamente como benefício adicional a seus passageiros. Também é comum que o stopover gratuito seja o atrativo de alguma promoção aérea, especialmente em voos internacionais.
Como saber?

A possibilidade de fazer alguma parada depende da companhia aérea. Em geral, as informações estão na descrição da tarifa.
Tempo no destino

O período de estada no destino intermediário normalmente é de até trinta dias e varia conforme a companhia aérea.