FORTALEZA

Fortaleza é a cidade com mais ônibus incendiados no País em 2018

Levantamento aponta ainda que a Capital já teve 88 ataques a coletivos entre 2012 e 2018

Julio Caesar - O Povo
Ônibus foram incendiados em ataques por quatro dias consecutivos, de 27 a 30 de julho

Fortaleza tem o maior número de ônibus com perda total em razão de incêndios criminosos neste ano no Brasil. É o que aponta levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), atualizado ontem.

Baseada em notícias veiculadas na imprensa e em notificações de empresas filiadas, a entidade aponta que, em 2018, 32 ônibus já foram atacados na Cidade. Desses, 19 ficaram irrecuperáveis. É o mesmo número registrado em Uberlândia (MG), que divide com a Capital a liderança do ranking.

Em 2017, Fortaleza foi a segunda cidade com o maior número de ônibus que tiveram perda total em ataques, segundo a pesquisa.

Foram 30 casos, 19 a menos que a campeã da estatística, Rio de Janeiro.

Ao todo, entre 2012 e 2018, a capital cearense teve 88 ônibus incendiados. Entre 2004 e 2011 e em 2013 nenhum ataque foi contabilizado pela NTU.

Os números da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos acompanham a evolução das facções criminosas no Ceará.

Foi em 2015 que passou a ser mais direta a atuação dessas organizações criminosas no Estado em um primeiro momento a partir do que ficou conhecido como pacificação, como mostrou O POVO em janeiro de 2016. Em 2014, dez ônibus foram incendiados. A partir de então, esse número não seria menor. Foram 13 em 2015 e 2016, até chegar a 30 em 2017, recorde absoluto.

A única outra cidade cearense a constar no levantamento é Juazeiro do Norte. Em maio último, dois ônibus foram queimados na cidade caririense. Esses atentados seriam uma retaliação à proibição de visitas a penitenciárias durante o Dia das Mães.

Atos criminosos ocorridos na Região Metropolitana de Fortaleza são computados como sendo na Capital. O ônibus incendiado em Horizonte na sexta-feira, 27, não entrou nos cálculos da NTU porque a empresa a que pertencia o veículo não é filiada ao Sindiônibus, assim como o micro-ônibus queimado na segunda-feira, 30, no bairro Pici.

Em todo o País, a NTU apurou que 2.332 ônibus foram atacados entre 2004 e 2018. Vinte pessoas morreram e 63 pessoas ficaram feridas com gravidade. Quase 3/4 dos crimes (71,7%) ocorreram no Sudeste. O Nordeste responde por 15% ou 368.

São Paulo, com 434 incêndios, é a cidade com o maior número de atentados. Em seguida, vem o Rio de Janeiro, com 327. Fortaleza é a quarta no ranking, atrás ainda de Belo Horizonte, que registrou 116 ataques nesses 14 anos.

O valor médio de cada ônibus é de R$ 365 mil, segundo o Sindiônibus.  (O Povo - é parceiro de oxereta.com)