MOMENTOS DE TRANSIÇÃO

Formas de fazer negócio na nova economia

Colaboração e cooperativismo estão entre as práticas a serem maturadas tanto para empresas como para pessoas

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Graziela Merlina é consultora em gamification (gamificação) e conselheira do Instituto Capitalismo Consciente Brasil

A forma tradicional de economia, com o acúmulo de riquezas, começa a dar espaço para o sistema colaborativo e compartilhado. O País ainda engatinha no fortalecimento do novo formato, mas a consciência existe. É o que explica Graziela Merlina, consultora em gamification (gamificação) e conselheira do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Ela ministrou ontem treinamento no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), por meio do FreshBiz, jogo que promove o pensamento empreendedor e a inovação.

"Estamos em um momento de transição, com startups nascendo. Existe o medo das mudanças que esse ambiente pode proporcionar; o medo de perder, de tomar iniciativas e também quebrar modelos estabelecidos. Com eles, prevalece a mentalidade do acúmulo, de que uma hora algo vai faltar", explica.

Para que esses desafios sejam transpostos, a especialista afirma a necessidade de romper com os paradigmas que envolvem o ego. "Deixar de ser 'ego' para ser 'eco'. Estamos atuando num ecossistema integrado e assim precisamos trabalhar em benefício não somente no ambiente organizacional, mas também na política e na educação", complementa.

Apesar das possibilidades de mudanças, grandes corporações tendem a ser mais desafiadoras, considerando a chamada "cultura organizacional". "Exige novas formas de fazer, novas formas de se relacionar e vai exigir dos profissionais o questionamento de muitas práticas por se tratar de uma mudança de cultura", disse. "Em vez de pensar em trabalhar numa empresa para subir de posição, por que não atuar de maneira horizontal mexendo com a forma de trabalhar e gerando impacto para o ecossistema?", questiona.

Com relação à aplicação do FreshBiz, Graziela o avalia como mais prático e de resultado pedagógico maior para a compreensão dos ideais de compartilhamento e colaboração. "O jogo concede a oportunidade de flagrar o nosso comportamento, o jeito de agir, pensar, tomar decisões e como você se sente ao romper padrão. Para o cérebro, não importa se estamos num ambiente simulado ou real, pois ele entende como competição. Assim conseguimos mapear comportamentos", aponta.

Annette de Castro, líder do Grupo Mulheres no Brasil - Núcleo Fortaleza, destaca que a ferramenta ainda contribui para o fortalecimento de diversos atributos, entre eles, liderança e cooperação. "O treinamento auxilia na mudança de pensamento. E o desafio é realizarmos um trabalho de maneira que preze a cooperação", explica.

Gamificação

A gamificação (gamification) é uma metodologia que consiste em utilizar técnicas e design de jogos em outras situações que não sejam associadas ao próprio jogo em si. Seu objetivo é trazer para a realidade e mostrar como isso impacta em pontos de engajamento, foco, determinação e produtividade.

Mulheres do Brasil

O treinamento FreshBiz teve como idealizador o grupo Mulheres do Brasil. "Seria ministrado internamente, mas abrimos para o público externo por causa da procura. Com isso, também ajuda a alavancar recursos para o projeto no País", explica Annette de Castro.

O grupo é composto por mulheres de vários segmentos de todo o Brasil que se reúnem mensalmente para discutir e propor ações em temas ligados à educação, empreendedorismo, cota para mulheres e projetos sociais. "Contamos com 20 mil mulheres. Nossa diferença está nas ações propositivas de cultura de paz, educação, artesanato e outras áreas". (O Povo - é parceiro de oxereta.com)