FORTALEZA

Fortalezense tem rotina alterada por série de ataques criminosos

Sem acesso a serviços ou temendo que a violência dos atentados respingue em si, cidadãos têm cotidiano afetado por ataques

Tatiana Fortes/ O POVO
Morar próximo a delegacia se tornou razão para medo

Mais uma vez a rotina do fortalezense é alterada por uma série de ataques orquestrada por facções criminosas. Ontem, foi o quinto dia consecutivo de atentados; ao todo, já são pelo menos 31. Os alvos têm sido prédios públicos (13) em especial, aqueles ligados a órgãos de segurança pública (6) , coletivos (16) e bancos (2).

Os ônibus até voltaram a circular normalmente, mas relatos de demoras e mudanças de linha ainda deixam o passageiro ressabiado. Paradoxalmente, medo também é constante para quem mora próximo a equipamentos da segurança pública. Já foram quatro delegacias atacadas, as duas últimas nessa terça-feira, 31, no bairro Curió e em Maracanaú (Região Metropolitana de Fortaleza).

Morando ao lado ao 4º Distrito Policial (4º DP), no bairro São João do Tauape, Léo Melo, de 69 anos, ri de quem diz que a vizinhança faz de sua casa um lugar seguro. Basta citar o dia em que o telhado cedeu e um homem caiu em sua sala. Era, de acordo com Léo, uma das muitas fugas que ele presenciou nos já, entre idas e vindas, 41 anos que mora na vizinhança.

Temer, conta, temia mais quando a mãe ainda era viva e morava com ele na casa. Mas a falta de estrutura o deixa preocupado. Para Léo, a delegacia deveria funcionar 24 horas por dia. Já os carros apreendidos em investigações não deveriam ficar na rua, em frente à delegacia. "Um prato cheio para ataques".

Já no bairro Edson Queiroz, o cheiro de queimado ainda era forte na agência bancária do Itaú atacada no sábado, 28. O banco seguia com atendimentos paralisados, para decepção de uma professora, que pediu para não ser identificada. Ela precisava desbloquear o cartão, mas se deparou com cartaz orientando a busca por outras agências "por motivos de força maior". "O que me chama a atenção é que cada vez mais vai chegando no Centro. Antes era uma coisa que só se via na periferia. É um descaso com a segurança", reclama.

Nenhuma paralisação atingiu mais a população do que a dos coletivos. No sábado, com ônibus recolhidos, muitos tiveram de se virar em carona ou aplicativos para voltar para casa. Uma corrida de mototáxi na avenida Carapinima para o município de Redenção, por exemplo, chegou a custar R$ 150. A serviço de uma empresa que faz pesquisas de satisfação de usuários de ônibus, Leandro Gomes percebeu nas entrevistas que a principal reclamação é a segurança.

Mas isso não se restringe apenas às crises. Os assaltos são as principais queixas, diz. Com os ataques, afirma Leandro, os usuários dizem evitar pegar ônibus e dividem a conta em corridas por aplicativos.  (O Povo - é parceiro de oxereta.com)