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Fintechs. A revolução na palma da mão

Com mais tecnologia, menos custos e burocracia, as fintechs - empresas de base tecnológica que fazem transações financeiras - estão mudando os hábitos dos brasileiros e a forma como os bancos olham os clientes

AURELIO ALVES/ ESPECIAL PARA O POVO
Gabriel Araujo só vai ao banco em último caso

Fazer transações bancárias pelo Whatsapp e ou Twitter, sem precisar acessar o aplicativo para mobile ou internet banking; investir em criptomoedas; tirar um cartão de crédito, online e sem anuidade; pagar contas e ainda receber por isso (cash back). Estas e outras inovações trazidas pelas fintechs - empresas de base tecnológica, em geral startups, que criaram novos modelos de negócio no mercado financeiro - estão, aos poucos, transformando os hábitos dos brasileiros.

No Brasil, em 2017, mais de 59 milhões de contas bancárias foram movimentadas pelo celular. Ainda que a maioria dos clientes prefira ir às agências para alguns serviços, como solicitar o cartão, esta foi a primeira vez que o canal se igualou, em preferência de uso, ao internet banking, segundo a Pesquisa de Tecnologia Bancária 2018, da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). O volume transacionado chegou a R$ 1,7 bilhão, 70% a mais que em 2016. O número de agências digitais também triplicou no período e chegou a 373.

O editor de vídeo e podcaster, Gabriel Araújo, 25, nem lembra a última vez que foi a uma agência bancária. "Só vou em último caso. Faço praticamente tudo pelo celular".

Ele diz que, além do aplicativo do seu banco convencional, há dois anos decidiu ter também um cartão de crédito e uma espécie de conta corrente do Nubank (fintech multisserviços), por onde hoje faz a maior parte das suas transações. "Além de não ter taxa e anuidade, ainda consigo fazer um melhor controle dos gastos. O meu banco mesmo deixo para guardar o dinheiro maior".

Também aderiu à plataforma de pagamentos PicPay para quando precisa fazer "coleta" com os amigos para alguma saída. "E como tem cash back, acaba gerando um bônus que volta para mim".

Dados do Radar FintechLab, divulgado em agosto, mostra que já são 453 startups financeiras em operação no Brasil. Alta de 23%, em relação ao final de 2017.

Para o diretor da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), Paulo Deitos, isso é reflexo justamente da proposta deste modelo de negócios que é resolver as "dores" dos clientes.

"A demanda é muito grande. O Brasil é um dos países com maior concentração bancária do mundo. E a estrutura dos bancos, a legislação, não facilita a experiência do usuário. Quantas vezes a pessoa não foi em um banco e passou horas esperando para abrir uma conta?".

Há também mais diversificação de nicho. As plataformas de meio de pagamento e as de empréstimos são as mais populares, porém, os setores que mais expandiram este ano foram o de Cryptocurrency (transações com moedas digitais como o bitcoin), com alta de 86%; câmbio e remessas (55%); e seguros (37%), conforme o estudo.

"O grande gargalo hoje é mostrar que existe estes segmentos de atuação, que é seguro, e que acessar este tipo de produto financeiro via aplicativo já é uma realidade, não é coisa do futuro", diz Paulo.

Para o especialista em transformação digital e inovação, Leo Monte, da consultoria GR1D, embora isso não signifique o fim das agências físicas, que continuarão existindo até para atender a parcela da população que está fora da internet, a tendência é de reformulação. "Vai ser muito focado no digital. As agências mantidas devem ter experiências incríveis, além de agregar outros serviços compartilhados". (O Povo - é parceiro deoxereta.com)