ADEQUAÇÃO À TECNOLOGIA

Mercado informal aceita cartão para não perder clientes

Vendedores ambulantes se adaptam aos desejos dos clientes. Na Praça do Ferreira, é possível pagar no cartão a partir de R$ 5

Alex Gomes/Especial para O POVO
Cícero, vendedor ambulante, utiliza maquineta de cartão para facilitar as vendas

De longe, o Centro da Cidade parece não ter mudanças mercadológicas significativas. Mas basta observar as praças, vielas e calçadas que é possível encontrar um mercado informal adequado às demandas tecnológicas dos consumidores. O POVO observou que vendedores ambulantes de brinquedos, roupas, acessórios e, principalmente, produtos para aparelhos celulares já aceitam mais o pagamento no cartão de crédito para atrair a clientela.

Na Praça do Ferreira, é possível pagar malhas e artigos para celular com valores a partir de R$ 5 no cartão. Os comerciantes estão no local há um mês e aguardam a requalificação dos calçadões para receber quiosques padronizados pela Prefeitura. Eles optaram não conceder entrevistas por temer a condição de informalidade.

Na rua Barão do Rio Branco, o ambulante Cícero Valeriano, 48, é um entre tantos outros que também vende miudezas eletrônicas no cartão. Ele conta que trabalha no Centro há 29 anos, e só resolveu adquirir uma maquina há três meses. "Se eu não tiver as pessoas não compram".

Cláudia Buhamra, doutora em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que os pequenos comerciantes buscam compensar a falta de estrutura oferecendo um serviço que geralmente não é encontrado nestes locais. "É uma forma de oferecer um diferencial competitivo, uma vez que ele não tem as ferramentas do varejo, como ambiente climatizado e mais conforto".

"Existe uma variável de macroambiente que muda o comportamento do consumidor. Hoje, não sair com dinheiro é uma questão de cuidado. A facilidade e a garantia de segurança que o cartão faz esse pagamento seja uma alternativa. Quem não está alinhado com esta demanda, terá muita dificuldade", explica.

Para Hilaine Yaccoub, doutora em Antropologia do Consumo (PhD), substituir o dinheiro pelo cartão no ato da compra é mais natural no Brasil. "A desmonetarização das relações econômicas é uma onda que vem crescendo em muitos países emergentes e centrais". A especialista cita que também há mais ofertas dos bancos tradicionais para a linha de crédito, gerando um crescimento no número de consumidores adeptos ao uso do rotativo.

Na outra ponta, existe a ampliação do mercado de operadoras de cartão e o barateamento deste serviço. "O embate das maquininhas é uma realidade e hoje o pequeno empreendedor mesmo que informal também precisa fidelizar clientes", destaca. A professora Cláudia reitera que esse nicho surge de " uma cadeia de valor que se forma na prestação do serviço, passa pelo pequeno lojista, chega no consumidor final e gera mercado". (O Povo - é parceiro de oxereta.com)