PRESENÇA DIGITAL

Aplicativos. A conexão entre negócios e rotinas

De acordo com a companhia norte-americana de análise do setor, App Annie, o brasileiro gasta cerca de 200 minutos por dia usando esse tipo de ferramenta tecnológica

Mateus Dantas/ O POVO
Pietro Occiuzzi, CPO da Agenda Edu.

O consumidor contemporâneo busca valores, e o mercado percebeu essa demanda. Diversos aplicativos (apps) desenvolvidos para smartphones permitem ao usuário conhecer novas pessoas, aproximam quem está longe, contabilizam os gastos e otimizam o tempo. Os números mostram que a rotina conectada é uma tendência cada vez mais forte. Segundo a companhia norte-americana de análise do setor, App Annie, o brasileiro gasta cerca de 200 minutos por dia usando essas ferramentas. São muitos os exemplos, como Uber, WhatsApp, Ifood, Tinder...

Entre as vantagens do dispositivo para o empreendedor, estão a constituição do vínculo e a comodidade oferecida ao cliente. "Existe uma palavra que pode expressar de maneira clara toda a relação do consumidor com a tecnologia: empoderamento. Boa parte disso passa pela possibilidade de ter a informação nas mãos, tornando ele mais dependente desse acesso. Com isso, as empresas vêm proliferando a ideia de criar apps", explica Roberto Kanter, professor de MBA de Marketing e Empreendedorismo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor do Canal Vertical.

Ele pondera, no entanto, que o recurso é apenas o meio de entregar um produto ou serviço. "Atualmente, é preciso ter uma presença digital. Não necessariamente será via aplicativo. O que garante o êxito é a proposta", destaca.

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), os apps correspondem a 44,5% dos principais softwares (programas) no País, totalizando 3,7 mil, entre 2016 e 2017. O mercado brasileiro recebeu investimento de US$ 38 bilhões para o setor no ano passado, seguido do México (US$ 20,6 bi), Argentina (US$ 8,4 bi) e Colômbia (US$ 7 bi).

Não há, porém, o dado de quanto foi destinado ao desenvolvimento de aplicativos. Em 2017, o Ceará foi o estado nordestino que mais recebeu aporte: US$ 192 milhões. Bahia e Rio Grande do Norte aparecem no segundo e terceiro lugares, somando US$ 179 milhões e US$ 101 milhões, respectivamente. Em meio a essa pujança, surgem muitos apps que não conseguem permanecer no comércio e logo caem no desuso. Os fatores são inúmeros: um projeto sem propósito definido, mudanças culturais, incompatibilidade com o público-alvo, etc.

Conforme Glauber Uchoa, analista técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Ceará (Sebrae-CE) e responsável pelo programa estadual de startups, 80% das ideias de inovação não conseguem avançar e apenas 20% têm sucesso. "O app tem se tornado bastante popular por conta de serviços famosos de transporte, alimentos e outros, mas é preciso levar em consideração o modelo de negócio antes de investir nele", observa.

Foi consciente desses desafios que um grupo de empreendedores criou o aplicativo Agenda Edu, em 2014, em Fortaleza. O mecanismo busca melhorar a comunicação entre pais, responsáveis, filhos e ambiente escolar. Anderson Morais, CEO da empresa, conta que o plano surgiu quando um dos sócios perdeu um evento da filha no colégio porque não conseguiu acompanhar a agenda física. "Chegamos à conclusão de que a escola tinha um problema na forma de se comunicar. Embora tivesse uma estrutura moderna, assim como alunos e pais antenados", lembra.

A inquietação virou uma ideia e foi levada ao Start-Ed lab, programa que incentiva novos projetos no âmbito da educação. Deu certo. Com os R$ 50 mil recebidos, eles colocaram em prática o produto que hoje é usado por mais de mil instituições no País. Em janeiro deste ano, o fundo de investimentos DOMO Invest investiu R$ 3 milhões no programa.

O serviço custa de R$ 1,50 a R$ 5 mensais para as instituições. Entre as funções, estão detalhes sobre a rotina do aluno, alerta sobre os comunicados e pagamento da mensalidade. Para o CPO da Agenda Edu, Pietro Occiuzzi, o sucesso é resultado de um produto pensado para impactar socialmente. "É fundamental entender o cliente. O processo de empatia é importante comercialmente. Muitas startups morrem na hora da venda, querem vender solução tecnológica. Porém, as pessoas não querem comprar tecnologia", diz. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)


Estudo

Após estudar o mercado que você busca disputar. Pode ser, porém, que o app não seja a melhor maneira e você dialogar com o seu cliente. Esse planejamento será importante para definir qual a metodologia eficaz de acordo com o modelo de negócio

Prêmios

A Agenda Edu venceu prêmios como Santander Universidades na categoria Empreendedores

Startups

A Casa Azul Ventures atua na aceleração do projeto e o serviço é pago. Saiba mais em casaazul.vc

Casa Azul

A Casa Azul Ventures atua na aceleração do projeto e o serviço é pago. Saiba mais em casaazul.vc

Negócios

O Sebrae-CE ajuda a formatar a ideia até a implantação do negócio. O projeto Rapadura Valley, ecossistema de startup que ajuda o empreendedorismo regional, auxilia no processo de troca de experiências, oficinas e esclarecimentos. Mais informações em rapaduravalley.com.br