TURISMO

Ocupação de voos internacionais ultrapassa 90% no Aeroporto de Fortaleza

Mesmo com o resultado, hotéis e barracas reclamam que, em janeiro, os ataques frustraram crescimento

Mateus Dantas/O POVO
Aeronaves que voam as rotas do hub da Air France-KLM/Gol estão com mais de 90% de ocupação

A taxa de ocupação média dos voos do hub da Air France-KLM no Ceará se manteve acima dos 90% em janeiro, de acordo com o diretor geral do Grupo na América do Sul, Jean-Marc Pouchol. Na TAP, o percentual está acima de 85%. Apesar dos bons números, que apontam para consolidação da movimentação no Aeroporto Internacional Pinto Martins, sobretudo, do turismo estrangeiro, a alta estação deste ano foi considerada atípica por outros segmentos do turismo.

Dados da Associação Brasileira dos Hotéis do Ceará (ABIH-CE), por exemplo, mostram que a taxa média de ocupação dos hotéis de Fortaleza em janeiro ficou em 78%. Quase seis pontos percentuais a menos do que o mesmo período do ano passado. O movimento nas barracas da Praia do Futuro, apesar de positivo, alta de 15%, também frustrou empresários que projetavam crescimento maior no período.

Reflexo dos ataques registrados no Ceará em janeiro que, embora não tenha ocorrido próximo aos principais pontos turísticos de Fortaleza, afetou o desempenho de parte do setor turístico. Em especial quando se trata de serviços que, geralmente, são negociados de forma imediata ou com menos antecedência que as compras das passagens aéreas.

De acordo com a presidente da Associação de Barracas da Praia do Futuro, Fátima Queiroz, nos dois primeiros fins de semana do ano - que começaram com incêndios em ônibus, explosão de viadutos e depredação de equipamentos públicos - o movimento das barracas chegou a cair 70%. "As pessoas ficaram com medo de sair. Depois foi melhorando, claro, mas sem dúvida frustrou a expectativa dos empresários que apostavam em um crescimento nas vendas muito maior por conta do otimismo em relação à retomada do consumo".

O gerente geral da barraca Chico do Caranguejo, Nestor Munhoz, confirma que a alta estação deste ano foi atípica. "Normalmente o janeiro é o segundo melhor mês do ano, mas neste ano não foi. E olha que aumentamos o quantitativo de funcionários de 234 para 270 acreditando no aquecimento das vendas, mas a onda de violência realmente foi um problema".

Ele diz que o atraso na coleta de lixo de alguns pontos também agravou a situação. "Tivemos que redobrar os cuidados, porque houve uma incidência maior de moscas varejeiras".

No hotel Sonata, na Praia de Iracema, a taxa de ocupação ficou próxima do ano passado e o faturamento cresceu em torno de 5%. Porém, Ivana Bezerra, proprietária do hotel, diz que isso ocorreu muito em função da retomada dos eventos corporativos. "O turismo de lazer, sem dúvida, foi afetado".

O vice-presidente da ABIH-CE, Régis Medeiros, pondera que além da onda de violência é preciso considerar que a Capital concorre com outros destinos turísticos do Estado, como Jericoacoara, Beberibe e Aracati. "O litoral leste inteiro está tendo grande atrativo turístico. A violência teve um impacto no mês de janeiro, mas acho que estamos retomando. É importante considerar também que por mais que a alta estação tenha sido menor que a de 2018, ainda são números muito positivos". (O Povo - é parceiro de xereta.com)