ANÁLISE

Análise "Militares são um elemento estabilizador no governo",

Para pesquisador Rodrigo Prando, militares têm servido de anteparo a Bolsonaro

Eles são a maioria na Esplanada. Estão na vice-presidência e na articulação política. Representam contingente afastado da política desde a redemocratização. E cumprem missão delicada num governo atravessado por múltiplos interesses, parte dos quais antagônicos: manter o equilíbrio.

Essa é a análise do professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rodrigo Prando. Para o especialista, "o núcleo militar da gestão Bolsonaro é robusto" e, até o momento, "embora não esteja tendo a evidência de Guedes e Moro, é o que tem dado estabilidade ao governo neste momento".

De acordo com Prando, dois indícios apontam para isso: a mudança no discurso de Hamilton Mourão, o vice, e a forma pela qual o segmento tratou as denúncias envolvendo o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, eleito para o Senado. "São os militares que têm dado estabilidade de que o governo necessita", acrescenta.

Segundo o pesquisador, após pouco mais de um mês de governo, o cenário sugere que "Sergio Moro (Justiça) e Paulo Guedes (Economia) são aqueles ministros que predominam numa pauta oficial".

O outro polo, mais ideológico, formado por Damares Alves (Direitos Humanos), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Ricardo Vélez (Educação), tem exercido pouca influência sobre os rumos da agenda do Planalto.

Quando muito, "acabam falando bobagem e trazendo muitas vezes uma imagem ruim para o governo", limitando-se a "soltar pílulas de frases de efeito e ideias mais conservadoras a fim de chegar a esse grupo de evangélicos que apoiaram maciçamente o Bolsonaro".

O professor assegura, no entanto, que, "entre uma opção ideológica para satisfazer um grupo religioso e uma pragmática, que vá dar ao Brasil melhor credibilidade econômica, não tenho duvida de que o Bolsonaro tende a ficar com o pragmatismo na economia em vez das questões relacionadas aos costumes".

E nesse ponto entram novamente os militares, que vêm tendo papel importante na discussão sobre a reforma da Previdência, principalmente num momento em que a tese segundo a qual a categoria estaria fora da reforma parece ter sido vencida.

"No enfrentamento da reforma (da Previdência) no Congresso, o governo vai começar a perder muito apoio", diz Valmir Lopes, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e articulista do O POVO.

Além de servirem de anteparo a Bolsonaro, o segmento, afirma o pesquisador, "não compra a agenda ideológica" de uma parcela significativa da base e dos ministros de Bolsonaro.

Também sociólogo, Cleyton Monte relativiza a influência dos militares na pauta do governo. "Qual é o peso real desse grupo no ministério? Tem seis generais, mas significa poder decisório sobre o governo? Vão alterar a agenda?", questiona. (O Povo - é parceiro de xereta.com)