DIOGO COSTA

Talento cearense no Festival de Berlim

O Povo
Figurinista e diretor de arte Diogo Costa

Formado em Estilismo e Moda pela Universidade Federal do Ceará, o figurinista e diretor de arte cearense Diogo Costa deixou o Estado há mais de 15 anos, mas nunca parou de trabalhar em projetos cearenses. Tendo enveredado na área artística em peças de teatro e filmes, ele terá seu próximo trabalho cinematográfico lançado no 69º Festival de Berlim, no próximo dia 12: o longa Greta, dirigido pelo aracatiense Armando Praça e com direção de arte de Diogo, foi selecionado em mostra paralela do evento. Na obra, Marco Nanini vive um enfermeiro homossexual que se envolve em uma trama com a doença de uma amiga travesti e a relação com um criminoso. Em entrevista ao O POVO, Diogo discorre sobre a carreira, expectativas para o evento e a construção do universo de Greta.

O POVO - Como foi
sua formação?

Diogo - Minha formação foi em Estilismo e Moda na Universidade Federal do Ceará. Quando eu fiz faculdade em Fortaleza, não existiam cursos de cinema nem teatro. Ainda na faculdade, comecei a trabalhar com figurino de teatro, fiz umas peças com pessoas muito interessantes e importantes para a minha formação. Comecei a fazer assistência de direção de arte e fui entrando um pouco nesse meio. Eu fiz O Céu de Suely (2006), filme do Karim Aïnouz, como assistente de figurino e conheci o Marcos Pedroso, que é um dos maiores diretores de arte do Brasil e acabei desenvolvendo muitas parcerias. A partir dele, eu vim para o mercado do Sudeste. Também fiz alguns trabalhos de direção de arte, como Rânia, da Roberta Marques, Homens com cheiro de flor, do Joe Pimentel. Com o Armando Praça é uma parceria muito antiga, foi com quem fiz meu primeiro filme como assistente de direção de arte, que foi o Amor do palhaço, e depois já como diretor de arte fiz o Mulher Biônica.

OP - Como se dá o seu processo de pensar e construir o universo
de um filme?

Diogo - O roteiro costuma ser o ponto de partida. A partir da dramaturgia se entende de que universo vai se tratar ali. Cada filme tem uma viagem muito própria. A pesquisa, assim, é fundamental.

OP - No caso de Greta, como foi a criação deste universo tão específico, que mistura contextos de vivência LGBTQ e um hospital, por exemplo?

Diogo - Nós visitamos muitos hospitais públicos, alguns desativados, lugares de resistência LGBTQ , conversamos com muitos profissionais de saúde, com representantes da classe LGBTQ , das transexuais, claro, para não tratar desses assuntos de forma leviana. Muito mais do que um filme sobre o problema da saúde pública no Brasil ou temas do mundo LGBTQ , o Greta é um melodrama humano, muito mais sobre amor e solidão do que qualquer outra coisa.

OP - Como você, tendo saído do Ceará, avalia as possibilidades de atuação na área cultural comparando, por exemplo, a época do seu início e hoje?

Diogo - O Ceará tem um cinema muito representativo e de vanguarda perante o resto do Brasil e outros países do mundo, também. Em termos de mercado, mesmo com uma produção mais significativa do que há 12 anos - quando eu saí do Ceará -, infelizmente a realidade de financiamento, incentivos, ainda é irrisória quando a gente compara, por exemplo, com Pernambuco. Mas vontade de fazer, boa formação e sobretudo talento se tem como em poucos lugares.

OP - Quais as expectativas para apresentar Greta no Festival de Berlim?

Diogo - São as melhores. Estar na Berlinale por si já é um reconhecimento importantíssimo do cinema feito no Brasil e de um artista brilhante como Armando Praça, que se dedicou muitos anos da vida a esse projeto lindo, que fez todos os envolvidos crescerem pessoal e artisticamente. É a cereja do bolo, agora.