EXPOSIÇÃO

Aos olhos de Fatumbi

Museu da Fotografia Fortaleza recebe a mostra "Orixás", do francês Pierre Verger. Na abertura, uma visita mediada com Vovó Cici e palestra do curador Alex Baradel

Pierre Verger©Fundação Pierre Verger/ Divulgação
Orixás: com registros em P&B, Verger elaborou um importante material sobre o candomblé Nagô-Ketu

Deuses. Encantados. Ancestrais. No panteão africano, os orixás circulam como divindades, que, sobre o alicerce do candomblé, dão norte aos seres humanos e influenciam nas forças da natureza. Respeitados por sua força, venerados por suas virtudes, o universo que engloba os orixás ganhou sentido maior para Pierre Verger (1902-1996) por meio dos enquadramentos feitos em sua máquina Rolleiflex. Fatumbi ("nascido de novo graças ao ifá") foi o nome religioso dado ao francês quando de sua ida à África, em 1953. Antes disso, em Salvador, havia consagrado sua cabeça a Xangô por intermédio de Mãe Senhora (Ilê Axé Opó Afonjá). Mas sua história, após esses anos todos, permanece mais que viva.

Trazendo a reboque a celebração de três décadas da Fundação Pierre Verger, lembradas em abril de 2018, o Museu da Fotografia Fortaleza (Varjota) recebe, a partir deste sábado, 12, a exposição Orixás. Com curadoria de Alex Baradel, a mostra - a segunda de Verger na capital cearense - reúne 65 obras do fotógrafo autodidata, pesquisador, antropólogo e etnólogo francês, que destacam rituais e características de algumas divindades cultuadas no candomblé de origem Nagô-Ketu e, consequentemente, sua visível interseção nas religiões de matriz africana no Brasil.

"A mostra possui um certo roteiro. Ela foi feita a partir do livro (Orixás, Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo), que foi reeditado agora por conta dos 30 anos da Fundação Pierre Verger. Possui fotos do Brasil e da África, mas fala muito sobre as raízes do candomblé", antecipou o curador. Também francês, Alex Baradel, 45, possui formação em Cinema, viajou por diversas vezes à África e, no Brasil, reside há quase 20 anos, desembarcando em Salvador a priori por motivos profissionais. "De fato, quando cheguei ao Brasil, vim direto para a Fundação fiscalizar um material. A coleção ainda não era muito conhecida, precisava ser organizada e, ao fazer esse trabalho, descobri um tesouro dos melhores", relembra.

Na ocasião da abertura, às 10 horas, haverá uma visita mediada por Vovó Cici, contadora de histórias e parte significativa do patrimônio vivo da Fundação Pierre Verger, tanto por sua ligação estreita com o artista, quanto por seu conhecimento aprofundado sobre a cultura afro-brasileira. Às 14 horas, a palestra será com o curador. Orixás, narra Alex Baradel, começa a viagem com registros da África (Nigéria e Benim) e segue para uma série de 14 fotos de diferentes orixás.

"Existe uma pequena parte sobre a questão do babalaô - quando ele foi iniciado na África, tornou-se babalaô - tem outra parte sobre Xangô, cuja ligação com ele era muito especial; Iemanjá, que é uma orixá muito especial na Bahia; e nas últimas fotos, temos as festas, os cerimoniais, o transe", complementou Alex, que destaca duas perspectivas de olhar para a mostra, que permanecerá na Cidade até o fim de maio (com QR Code disponível para a acessibilidade em todas as obras).

"Existe a coisa plástica, o aspecto estético, todas as fotos têm uma poesia, mas não é só um documento. É uma obra de arte para além do visual. As fotos que ele fez nos anos 1940, acredito que sejam o único registro histórico. Orixás não é uma Bíblia, mas é quase porque possui informações sobre as origens do candomblé, sendo um livro para um grande público", ressaltou o curador. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)


Exposição Orixás, de Pierre Verger

Quando: abertura sábado, 12, com visita mediada (10 horas) e palestra (14 horas)

Onde: Museu da Fotografia Fortaleza (rua Frederico Borges, 545 - Varjota)

Horários de visitação: de quarta-feira a domingo, sempre das 12h às 17 horas

Entrada franca

Info: (85) 3017 3661