TRÁFICO PELOS PORTOS

Contêiner com cocaína descoberto no Mucuripe deveria estar no Caribe

Receita Federal reconhece falha, por equipamento estar no pátio do porto cearense. Desde terça-feira, operação ainda não fez apreensões no Mucuripe e Pecém

O Povo
Operação nos portos do Mucuripe (foto) e no Pecém seguirá nos próximos dias

A história do contêiner descoberto por acaso com 20 quilos de cocaína no pátio do Porto do Mucuripe, em outubro do ano passado, quando funcionários realizavam a manutenção no motor refrigerado do equipamento, ganhou um detalhe ainda mais misterioso. O contêiner nem sequer deveria ter sido desembarcado em Fortaleza. O POVO apurou que o rastreamento do contentor, feito na investigação aberta para o caso, apontou que a droga era esperada num país do Caribe (não foi informado qual).

A situação não é tida como usual para envio de cocaína pelo mar. A documentação levantada pelos policiais federais não teria indicado nem um empilhamento temporário no porto cearense. A câmara frigorífica é normalmente utilizada para envio de frutas, mas estava vazia quando os pacotes da droga foram encontrados. O equipamento pertence à empresa francesa CMA-CMG, que já declarou que não se manifestaria sobre o episódio "por razões de segurança". Entre os dias 14 e 16 do mês passado, O POVO revelou, numa série de reportagens, que o porto do Mucuripe foi alvo da ação de traficantes, que teriam tentado despachar os pacotes com pó escondidos. O flagrante ocorreu na manhã do dia 18 de outubro.

Ontem, durante entrevista coletiva, a Receita Federal divulgou o balanço da operação de combate aos crimes de contrabando, descaminho e tráfico de drogas, feita nos portos cearenses desde o último dia 5. O delegado da Alfândega em Fortaleza, Frederico Vasconcellos, confirmou que o caso do contêiner com cocaína está sendo tratado como "um fato incomum". E reconheceu que "não foi uma ação normal, o contêiner não estava aqui (nos documentos). Pode ter sido uma falha do operador portuário ao direcionar o contêiner errado do navio".

Sobre a operação, o superintendente regional da Receita, João Batista Barros, informou que não houve apreensão até o momento, mas que o trabalho não foi encerrado. Desde terça-feira, auditores e analistas da Receita e agentes das polícias Federal e Rodoviária Federal, com acompanhamento do Ministério Público Federal, intensificaram ações nos dois portos cearenses. Tentam encontrar vulnerabilidades na segurança e inspeção. Operação semelhante ocorre no Rio Grande do Norte.

"Até agora não temos nenhuma apreensão. Isso está longe de ser um insucesso da operação. Quer dizer que a Receita entende que está tudo perfeito, lindo e maravilhoso, nos portos do Mucuripe ou do Pecém? Não. É possível que venhamos a ter apreensões nos próximos dias, próximas semanas ou meses. Trabalhamos para detectar e corrigir", afirma o superintendente. "Nenhum porto no mundo é imune à criminalidade", reconhece (O Povo - é parceiro de oxereta.com)