FUTEBOL

Aquele algo mais

- PODE ter faltado bom futebol no Junco de Sobral, ontem a tarde, até mesmo futebol mais ou menos, mas sobrou boa vontade, tanto de um lado como do outro. Boa vontade ajuda, sim, mas não é tudo. Aliás, de boa vontade o mundo está cheio e o futebol também entra nessa onda.

- GANHOU o menos ruim, no caso o Fortaleza (1 x 0), de um Guarany, até então único invicto do Estadual, dos que estão desde a primeira fase. Fortaleza teve três chances de gol. Numa delas, o baixinho Ederson mandou às redes desviando cruzamento de Carlinhos, que entrou no posto de Bruno Melo.

- GOSTO mais do Ederson jogando enfiado, onde, aliás, brilhou no Atlético-PR na melhor fase da sua carreira. Ele é rápido, tem bom chute, tem boa visão de gol, tem boa colocação. Quem conhece o caminho da redes não se perde na volta. Aliás, faltou pouco para o Ederson marcar um golaço, só não entrando para sorte do Guarany. Agora que virou batedor de pênalti oficial, não demora vira o artilheiro tricolor.

- GUARANY preocupou-se muito mais em se defender, amarrar o jogo no meio do campo, do que tentar o gol adversário. A rigor, só teve uma chance na reta final do jogo mal aproveitada. Time sobralense se tremeu de medo diante de um Fortaleza que, por enquanto, não é de assustar ninguém.

- FALTA ao Tricolor aquele algo mais pra embalar. Talvez, agora, com a volta de Dodô pra jogar na meia cancha, na criação das jogadas, seja esse algo mais. É visível a falta desse jogador no time de Ceni. Daí, ter se empenhado tanto na volta de Dodô. Muito mais do que na de Marcinho que é ponta nato, atuando pela esquerda. Quando os dois estiverem no ponto, talvez o time melhore e embale. Assim espera sua torcida. Não é fácil remontar uma equipe.

ESCOLA DO CHAMUSCA

- A RIGOR, apesar da vantagem construída no inicio da partida, o Guarany não ameaçou a vantagem do Fortaleza. Parecia até que o 1 x 0 estava ótimo para ele. Coisa de treinador que não sabe ousar ou não confia no elenco que tem. Batatais, seu treinador, vem da escola do Chamusca, de quem foi auxiliar muito tempo. Herdou dele mais defeitos do que qualidades.

- QUANTO ao Fortaleza fez o seu papel derrubando mais um invicto. É o segundo encarrilhado. Primeiro foi o Barbalha, no Castelão, agora o Guarany dentro do Junco. Lá não é fácil ganhar, embora ali o Tricolor sempre se deu bem. Se o Guarany queria empatar não conseguiu. Se queria perder de pouco, foi atendido.

POR UM TRIZ...

- DOIS gols de fora da área (Samuel Xavier e Felipe Baxola) salvaram o Ceará do maior vexame que podia passar na Copa do Nordeste diante do Altos-PI. Foi por um triz. Aquele mesmo Altos que no meio da semana tinha sido goleado impiedosamente (7 x 1) pelo Santos. O Ceará não é o Santos. Nem o Lisca é o Sampaoli.

- ACONTECE que o time piauiense veio disposto a não sofrer novo vexame. Não sofreu, mas fez o Ceará penar para conseguir chegar aos 2 x 1. O que parecia simples, o Alvinegro complicou por conta de uma atuação apagada, beirando à mediocridade. Do lado de fora, os poucos torcedores alvinegros sofreram na iminência de que o pior acontecesse.

- QUANDO se esperava que, diante da fraqueza do Altos, o Lisca montasse um sistema ofensivo, lá se vem ele povoando a equipe de volantes e meio campistas, esquecendo-se de que jogava em casa, na imensidão do Castelão.

- NEM tanto que o Altos complicasse, muito mais porque o Ceará se enroscou em suas próprias pernas. Onde já se viu, por exemplo, inventar o Ricardinho como ponta-direita ou mesmo falso ponta? Só na cabeça do Lisca.

BRINCADEIRA TEM HORA

- ACABOU sobrando para o coitado do Roger isolado na frente, sem ter quem o municiasse ou ao menos encostasse para dialogar com ele. Quem podia fazer esse papel atuou mais atrás. Esperar que um jogador de 34 anos tenha fôlego para ficar correndo de um lado para o outro ou descendo para buscar jogo. Brincadeira tem hora.

- PARA complicar ainda mais a falha do goleiro Richard no gol do Altos, de repente fez o Ceará temer uma zebra do tamanho de uma assombração. Venceu, outra vez, sem convencer. Loas para os gols de Samuel Xavier e Felipe Baxola em dois chutes de longa distância. Quanto mais o Lisca complica, pior para remontagem do time Alvinegro. Se outro fosse o adversário, a história estaria sendo contada de outra forma. Ufa! (Alan Neto - O Povo - é parceiro de oxereta.com)