HOTELARIA

Ceará responde por 5% dos lucros da rede Accor no Brasil

Rede francesa já investiu cerca de R$ 500 milhões no Ceará e segue em busca de investidores para tornar Ibis Pecém realidade

O grupo hoteleiro francês Accor, fundado há pouco mais de quatro décadas e com presença na África, Ásia, Europa e nas Américas do Norte e do Sul, soma aproximadamente 40 marcas entre os segmentos econômico e luxuoso. Em Press Conference realizada ontem em São Paulo, a empresa, que expande suas atividades na América Latina, anunciou lucro líquido no Brasil de aproximadamente 23% entre dezembro de 2017 e igual mês de 2018. Nesse mercado, o Ceará representa 5% dos lucros nacionais.

Segundo Abel Castro, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios do grupo, no período de 20 anos que a francesa chegou a Fortaleza, foram investidos no Estado cerca de R$ 500 milhões, totalizando 1.040 quartos e gerados entre 600 e 700 empregos diretos.

"Temos mais projetos. Já vamos quase dobrar nossa operação no Ceará, que representa 5% dos nossos lucros nacionais, mas queremos desenvolver um hotel nas categoria midscale e uma na luxo. É nosso objetivo para dois, três anos", disse.

Outra estratégia da Accor é a busca de investidores para a abertura de novos empreendimentos, a exemplo do que ocorre no Pecém. A rede, há seis anos, segue atrás de investidores para a implantação de um hotel Ibis na cidade, contou o diretor.

"Para o Pecém, nossa ideia é, a partir de uma figura de investidor, lançar um empreendimento no local e gerir no modelo franquia, um dos nossos formatos de negócio. É o que vamos fazer com o Ibis Praia de Iracema, que devemos começar a operacionalizar no segundo semestre deste ano. No Pecém, não há nada construído. Estamos indo atrás de investimentos para consolidar", acrescentou.

CEO Accor na América do Sul, Patrick Mendes argumenta que projetos como o hub Fortaleza e a ampliação de voos diretos da Europa para a Capital potencializaram o crescimento turístico do Ceará e, consequentemente, o investimento da rede de hotéis no Estado.

"Fortaleza é uma cidade que cresceu muito nos últimos dois anos. Os resultados são impressionantes. Estamos tentando acelerar o ritmo para abrir mais hotéis no Ceará. Em maio deste ano, será inaugurado o Ibis de Juazeiro do Norte, com 200 apartamentos, e nos próximos meses o de Caucaia. Há também inaugurações previstas para o segundo semestre. Queremos entre 25 e 30 hotéis no Nordeste", disse Mendes.

Para o Nordeste, a expectativa da Accor pelo crescimento de receita para 2019, assim como para o País, é também exponencial. “O Nordeste é muito importante para nós faz tempo. A região tem uma participação contundente no nosso desenvolvimento dos últimos anos, principalmente quando falamos em cidades secundárias, que possuem no máximo 400 mil habitantes e, dois ou três hotéis. No passado, a gente desenvolvia hotéis basicamente nas capitais. Hoje, estamos no processo de interiorização, buscando cidades que normalmente não têm uma oferta adequada. Estamos tentando fazer isso com produtos como Ibis Freestyle. Esse processo continuará nos próximos quatro, cinco anos”, explicou Abel.

Segurança e oferta de serviços

Mendes pondera que, para que o investimento hoteleiro no Brasil seja ainda mais expressivo, aspectos como infraestrutura, segurança pública e educação precisam ser priorizados. O CEO da rede que atua em cinco categorias - econômica, midscale, upscale, luxo e high end luxury - explica que entre 2012 e parte de 2017 o segmento caiu 35% em volume de negócios, o que refletiu em problemas como baixa ocupação.

“No mundo inteiro, são 140 milhões que todos os anos. Depois de uma forte crise, ter um ano de 2018 que acabou de maneira espetacular foi uma boa notícia. O consumidor precisa estar ciente de que o segmento do turismo gera emprego e que pode representar até 15% do PIB de um país, como na Europa. No Brasil, ele representa 3%. (...) Aqui, ainda há uma potencial zona inexplorada do turismo business e da hotelaria de luxo”, defende o CEO.

Responsabilidade social

A baixa disponibilidade de mão de obra qualificada para o segmento do turismo é fato no Brasil, defende Mendes. “Aqui, ainda não é assim, mas em alguns países da Europa a hotelaria virou uma coisa nobre. Então, para burlar isso, criamos a Academia Accor. Treinamos, por ano, mais de 25 mil colaboradores. Temos uma estrutura física em São Paulo e um programa digital de Ensino a Distância (EAD). Hoje, são mais de 20 mil colaboradores na américa do sul. Mais de 15 mil só no brasil. Em média, dedicamos de dois a três por cento do custo salarial a treinamentos para eles.” Nos últimos anos, a rede passou a não utilizar canudos plásticos para bebidas e a incentivar o reuso de água e o plantio de árvores, como parte das ações de responsabilidade social.

*A jornalista viajou a convite da Accor (O Povo - é parceiro de oxereta.com)


Segurança

Para que o investimento hoteleiro no Brasil seja mais expressivo, aspectos como infraestrutura, segurança pública e educação precisam ser priorizados. O CEO da rede explica que entre 2012 e parte de 2017 o segmento caiu 35% em volume de negócios.