EDUCAÇÃO

80% dos alunos de federais no Ceará têm renda inferior a 1,5 salário mínimo

Com protestos marcados em várias cidades e convocação do ministro Abraham Weintraub na Câmara, o Brasil vive hoje clima de “dia D” para a educação do País. No ensejo por defender cortes de até 30% ensaiados pelo governo no ensino superior, tem sido comum a caricatura de que as universidades brasileiras estariam centralizando renda, beneficiando uma casta de privilegiados e “filhos de papai” que usariam da verba para formação de militantes e o consumo de drogas. O verdadeiro perfil do estudante, no entanto, não poderia estar mais distante.

Segundo dados oficiais, 80,7% dos alunos de universidades federais no Ceará (incluindo UFC, Unilab e UFCA) têm renda familiar per capita inferior a 1,5 salário mínimo. Ou seja, oito a cada dez estudantes dessas instituições estão incluídos no perfil de vulnerabilidade social do governo. A proporção de alunos nesta condição no Estado é superior às médias do Nordeste (78,3%) e do Brasil (70,2%). Os dados são da Universidade Federal do Ceará (UFC), que teve corte de até R$ 46,5 milhões anunciado pelo governo.

Maior instituição federal de ensino no Ceará, a UFC confere hoje ações de assistência estudantil a 7.618 alunos, cerca de 25,4% de todos os matriculados em cursos de graduação da instituição. Ou seja, mais de 50% dos alunos com perfil de vulnerabilidade já não têm como ser assistidos atualmente devido a limitações orçamentárias. Entre essas ações de assistência estão bolsas de iniciação acadêmica, manutenção da residência universitária, auxílio moradia, auxílio-creche e auxílio-alimentação.

Desse total, estão 3.722 estudantes que recebem auxílio-alimentação – sendo isentos do pagamento em refeitórios do Restaurante Universitário da UFC – e 1.174 estudantes que recebem auxílio-moradia da instituição. Como o MEC ainda não detalhou as rubricas que serão impactadas por possíveis cortes, a UFC vive hoje uma indefinição sobre o impacto de possíveis contingenciamentos na concessão desses benefícios.

Fica óbvio, portanto, o papel democratizador do ensino superior tocado hoje pelas universidades federais no Ceará. Isso não quer dizer que as instituições não possam, ainda mais em cenário de crise, passar por cortes orçamentários. Só que isso deveria exigir rigor maior do que falar em “balbúrdia” e “militância”. Até porque, uma vez concretizado um prejuízo, a recuperação costuma ser muito mais cara. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)