"VITÓRIA DE PIRRO"

Petrobras: renúncia ao refino e "vitória de Pirro"

O presidente da Petrobras anunciou a pretensão de vender mais quatro refinarias, reduzindo a grande estatal brasileira à condição de mera produtora de óleo cru, deixando a "parte do leão" - o refino - para as multinacionais do petróleo. Exatamente o oposto do que fazem os países industrializados possuidores de grandes reservas de petróleo. Estes geralmente refinam tudo o que produzem, pois aí é que está a "galinha dos ovos de ouro".

Isso se torna ainda mais ilógico quando se tem em conta que o Brasil é um desses países privilegiados por deter uma das maiores reservas mundiais de petróleo. O pré-sal tem reservas estimadas em cerca de 55 bilhões de barris. Descoberta conseguida graças a uma tecnologia de exploração em águas profundas criada e desenvolvida com exclusividade pela Petrobras. Nenhum outro gigante do petróleo a possui nesse grau de excelência.

Para refinar esse mar de petróleo, a custos reduzidos (o custo médio de refino da Petrobras é inferior a US$ 3 o barril, o que tornaria o negócio muito lucrativo para a empresa) já se tinha uma importante cadeia de refinarias e buscava-se ampliá-la ainda mais. Isso tudo mudou com a crise política e econômica que tomou conta do Brasil e terminou por atingir a Petrobras, modificando totalmente a política de foco nacional que a orientava.

Coincidentemente, foi nessa época que entrou em ação a Lava Jato, descobrindo um vasto esquema de corrupção interna, na empresa. Embora essa investigação tenha sido muito importante, ela não teve o cuidado de seguir o padrão adotado, em situação semelhante, por democracias consolidadas, isto é: punir os responsáveis e multar a empresa, mas tendo o cuidado estratégico de preservá-la, a fim de manter empregos, receitas e toda a cadeia de empresas e empreendimentos gerados a partir dela. A falta dessa providência elementar, adotada por qualquer país ciente de seus interesses, é intrigante e incompreensível. Por causa disso, foi desmontada toda a cadeia de óleo e gás, a indústria naval, as grandes empreiteiras e, por conseguinte, a engenharia nacional e milhares de pequenas empresas, contaminando toda a economia, gerando milhões de desempregados e provocando a radical redução de receita para os cofres públicos.

Até agora, o que foi recuperado pela Lava Jato é muito pouco em comparação ao que o País perdeu com a redução considerável do PIB e a destruição de sua indústria, por falta de providência tão elementar. Dentre os destroços está a venda, aos pedaços, da Petrobras aos concorrentes estrangeiros (inclusive, o descarte das refinarias) e o retorno do Brasil à condição de mero exportador de commodities.  (O Povo - é parceiro de oxereta.com)