RIO DE JANEIRO

Sobe número de desaparecidos em desabamento

O Corpo de Bombeiros elevou a quantidade de possíveis desaparecidos nos desabamentos em Muzema, que fica em região dominada por milícia

Tânia Regô/Agência Brasil
Equipes atuam na busca e resgate de pessoas após o desabamento dos dois prédios

O Corpo de Bombeiros elevou, ontem, para 17 o número de possíveis desaparecidos nos desabamentos na Muzema, região da Zona Oeste do Rio de Janeiro dominada por milícia. Segundo o coordenador de operações e coronel bombeiro, Luciano Sarmento, o número de desaparecidos varia porque depende de uma investigação junto a familiares e vizinhos.

"Esse número é dinâmico e varia de acordo com as informações. Paralelo ao trabalho de resgate, temos uma equipe de investigação junto as famílias e vizinhos", disse o coronel, que afirma que as buscas se darão de forma ininterrupta até que sejam esgotadas.

Mais de 100 bombeiros e agentes da defesa civil trabalham no resgate, que conta com a ajuda de cães farejadores e equipamentos específicos para o salvamento em estruturas colapsadas.

O resgate em desabamento de prédios deixa mais esperanças de encontrar sobreviventes que no caso dos deslizamentos de terra, comparou o bombeiro.

"Podemos encontrar células (locais sob os escombros) que têm um pequeno habitat em que a pessoa pode se manter respirando. Realmente o tempo é nosso inimigo, mas já temos relatos de pessoas que sobreviveram em desastres de até sete dias".

Ao todo, cinco corpos foram retirados dos escombros e dois dos dez resgatados com vida morreram em unidades de saúde. Entre os 17 desaparecidos, é provável que haja crianças, segundo o coronel, que não especificou o número.

Os dois prédios que desabaram eram construídos ilegalmente na Muzema. Eles ruíram na manhã de quinta-feira, 11. Após o acontecido, a prefeitura do Rio de Janeiro decidiu interditar e demolir na área outros três edifícios, também supostamente erigidos sob ordens de milicianos.

O desastre foi mais um dos capítulos da ascensão, no Rio, de grupos paramilitares, com ligações nas polícias e sob proteção de políticos. Dominam em regiões pobres, onde se dedicam à especulação imobiliária. Invadem terras, constroem edifícios e vendem imóveis. (Das agências)