PREVIDÊNCIA

Onyx projeta que governo tem 330 votos para aprovação da reforma

Para que proposta passe na Câmara são necessários votos favoráveis de 308 deputados. Ministro teve encontro com Rodrigo Maia para discutir início da votação em plenário

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Onyx avalia que reforma não sofrerá desidratação no plenário

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que, nos cálculos do governo, já existem cerca 330 votos para aprovar a proposta de reforma da Previdência no plenário da Câmara nesta semana. "Temos um cálculo realista ao redor de 330, com pé bem no chão, caminhamos para ter algo em torno de 330 e pode ser até mais do que isso. É uma margem que a gente acredita ser possível", afirmou Onyx na saída de reunião na residência oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na manhã de ontem.

O ministro disse que, durante o encontro, foram discutidos procedimentos para dar início à votação da matéria amanhã, como já anunciou Maia. O secretário de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, também esteve no encontro.

Marinho manifestou confiança na aprovação da reforma, mas alertou que é preciso vencer o "kit obstrução". Ao sair do encontro com Maia, Marinho acabou revelando que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também participou da conversa. Com residência vizinha a de Maia, Alcolumbre passou por uma entrada interna nos jardins entre as casas. Marinho até brincou: "Agora tem uma porteira que fica aberta".

Onyx disse ainda acreditar que não haverá desidratação da reforma durante a fase de plenário. "É claro que pontualmente alguma questão pode surgir no plenário." No entanto, ele reafirmou que a intenção é manter a potência fiscal da proposta ao redor de R$ 1 trilhão.

Segundo o ministro, o processo de votação da matéria será iniciado amanhã, mas a previsão é que a votação em si só ocorrerá de fato na quarta-feira, 10. Para ele, no plenário, pode haver até uma proporção maior de votos do que na comissão especial. Onyx afirmou também que o governo defende que o pedágio de 100% para se conseguir a aposentadoria deve valer para todos.

Sobre os policiais, que ainda devem pressionar por ajustes favoráveis à categoria, o ministro explicou que existem muitas questões a serem tratadas que não são só em torno da idade, mas avaliou que mudanças importantes já foram feitas na comissão especial. "Me parece que o texto aprovado na comissão já contempla questões importantes para policiais", disse.

Questionado se o parecer atenderia mesmo às demandas da categoria, Onyx repetiu: "Na avaliação que nós temos já há no texto uma possibilidade de que isso esteja atendido". Mesmo assim, Onyx disse que técnicos ainda farão uma avaliação bastante detalhada sobre o pleito dos policiais para discutirem melhor o assunto.

Bastante cauteloso, Marinho não quis comentar sobre a avaliação técnica que o governo está fazendo sobre as questões envolvendo policiais. "Não posso explicar, deixa as coisas acontecerem". (Agência Estado)


Apoio

Levantamento feito pelo Estadão aponta, que a proposta conta atualmente com o apoio de 247 deputados. Desses, 229 afirmam que dariam sim à reforma com o mesmo teor que foi aprovado na Comissão Especial e 18 condicionaram a aprovação a ajustes.



Votação
Para que a proposta de reforma da Previdência passe no plenário da Câmara, são necessários os votos de 3/5 dos deputados. Ou seja, 308 parlamentares