MAIS MÉDICOS

Rui Costa fala em projetos para saúde pelo Consórcio Nordeste

Governador da Bahia confirma planos do grupo de estados da Região. Expectativa é de reorganização do programa para suprir déficit de profissionais

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Governador da Bahia, Rui Costa ocupa a presidência do Consórcio que busca alternativas de desenvolvimento para o Nordeste

Presidente do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste (Consórcio Nordeste), o governador da Bahia, Rui Costa (PT), falou com exclusividade ao O POVO sobre o próximo encontro entre os estados membros do programa, marcado para ocorrer ainda neste mês. A expectativa é que a reunião trate da reinstalação do atendimento do Mais Médicos, a partir do contato com a Organização Pan-americana de Saúde (Opas).

A consulta à organização foi confirmada pelo governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), conforme publicado na Folha de São Paulo. Ao O POVO, Rui Costa confirmou reunião com o secretário-executivo do projeto, a fim de arquitetar as "principais ações do consórcio". Segundo o petista, até o fim de julho, "grandes e importantes medidas, inclusive na área da saúde, serão anunciadas ao Nordeste".

O Ceará é o 2º estado mais afetado pela saída de médicos cubanos e brasileiros, com 370 vagas ociosas no Mais Médicos, segundo levantamento feito pela Folha de São Paulo. Para o ex-secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro, o consórcio pode ser alternativa para falta de médicos no Estado.

Segundo ele, o Mais Médicos foi um programa para resolver problemas da regiões remotas do Nordeste, como semiárido e periferia. Monteiro cita como exemplos a falta de médicos nas grandes cidades, que possuem quatro faculdades de medicina, como Fortaleza, e outras duas, em Sobral. "Os municípios afastados sofrem ainda mais".

Odorico avalia ainda que o consórcio pode assistir o Ministério da Saúde com "soluções concretas para vários problemas que se resolvem de maneira interfederativa". Segundo ele, o consórcio aumenta poder de compra do Ceará, que conta, hoje, com 9 milhões de habitantes. Com a parceria, somados, os estados têm mais de 50 milhões de pessoas.

O quantitativo populacional, destaca Monteiro, "aumenta capacidade de negociação frente ao complexo produtivo para desenvolvimento e incorporação tecnológica, com enfrentamento da judicialização (por meio da realização de mais procedimentos cirúrgicos, tratamento de doenças raras e aquisição de medicamentos de alto custo com a indústria da saúde)".

Ainda segundo ele, a Rede Nordeste de Formação em Saúde da Família (Renasf) já é um exemplo de funcionamento informal do consórcio. A rede, que coordena a Fiocruz do Ceará e forma 200 mestres na área por ano, pode fazer parte do consórcio, diz Monteiro. "Eu defendo que essa é uma agenda que deverá ser discutida no Consórcio, já que a falta de médicos é uma grande dor para os municípios do semiárido nordestino. E o Consórcio Nordeste é uma alternativa que deve ser discutida pelos governadores", analisa

Assinado em março, o Consórcio Nordeste prevê unir os nove estados da região em dez pontos que os beneficiem. O acordo tem como característica a cooperação entre esses estados em relação à agenda do presidente Jair Bolsonaro, que, no segundo turno das eleições do ano passado, perdeu em todos os estados e, em seis meses de governo, compareceu à região apenas uma vez.

OBJETIVOS

Nos tópicos do documento assinado pelo Consórcio Nordeste, encontram-se a criação de fundos que facilitem recursos econômicos, intercâmbio estudantil e profissional e peso relevante de força política nas decisões nacionais (O Povo - é parceiro de oxereta.com)