ANUÁRIO DO CEARÁ

Anuário do Ceará a serviço do bom Jornalismo

Em discurso na apresentação da edição 2019-2020 do projeto, a presidente do Grupo O POVO, Luciana Dummar, frisou o papel do Jornalismo como determinante em tempos de opiniões acirradas

Julio Caesar - O Povo
Luciana Dummar, presidente do O POVO (C) durante Lançamento Anuário do Ceará 2019-2020 / A Festa - Equipe que produziu o Anuário do Ceará 2019-2020

"Notícia e opinião não são commodities". Com estas palavras e defendendo o bom Jornalismo e a independência da imprensa que a presidente do Grupo O POVO, Luciana Dummar, lançou ontem, no Lulla's Plazzá, o Anuário do Ceará 2019-2020.

Durante a solenidade de lançamento, Luciana destacou que o papel do Jornalismo ganha envergadura determinante em tempos de opiniões tão acirradas, profusões de informações na internet. "Nenhum governo deve ser tratado com condescendência pela imprensa, nunca, jamais, sob pena de esta mesma imprensa perder sua legitimidade. Uma perda a pôr em risco a democracia que confere legalidade aos eleitos. As melhores gestões são aquelas cuja maturidade de seus governantes permite lidar com os incômodos do bom Jornalismo", disse.

Reforçou ainda que são esses valores e o respeito à pluralidade em todas as suas plataformas que têm levado O POVO, em seus 91 anos de história, a seguir alçando novos voos, a exemplo da expansão da rádio CBN para o Cariri, para Teresina (PI) e, em breve, com o lançamento do Guia de Investimentos de São Paulo.

Com 640 páginas, distribuídas em 11 capítulos, o Anuário, que é a mais antiga publicação em atividade no Estado, com 150 anos, chega a sua nova versão com um compilado atualizado dos dados econômicos, políticos, sociais, geográficas e culturais do Estado; um capítulo especial sobre o Geopark Araripe; mapa territorial indígena e quilombola no Ceará e o primeiro levantamento nacional sobre os negócios com Selo B, que certifica empresas que visam ao lucro, mas também os impactos sociais e ambientais. Além de novas possibilidades na busca de informações no seu site.

O projeto traz ainda o já tradicional ranking dos políticos mais influentes no Ceará e, dentre os destaques da edição deste ano, o resultado do Índice Comparativo de Gestão Municipal (ICGM) 2019, uma parceria do Anuário do Ceará com o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). Com base em critérios técnicos que mensurou as gestões dos 184 municípios cearenses, Eusébio foi o que apresentou os melhores indicadores.

O editor-geral do projeto, Jocélio Leal, explica que o rigor na apuração, didatismo, excelência no design são palavras-chave desta edição. "O Anuário não se ancora na longevidade como se isso fosse o principal e único ativo. Não pede respeito pela idade que tem, propõe-se a ser respeitado pelo o que oferece aos leitores".

E é assim que o acompanhamento dos indicadores é encarado pelo prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), como essencial para entender a construção do desenvolvimento do Estado e de seus municípios ao longo dos anos e planejar o futuro. "O compromisso do Grupo O POVO com a qualidade do conjunto de informações que oferta é o que faz do Anuário fonte de informações nas escolas, para os jovens e para as instituições".

Serve ainda como uma bússola para quem pretende investir no Estado, afirma o presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Beto Studart.

Fã declarado da publicação há várias décadas, o professor emérito da Universidade Federal do Ceará (UFC), o sociólogo Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes enfatiza ainda o mérito do Anuário de abraçar as mais diversas vertentes de conteúdo. "Eu presto atenção em tudo. É muito completo, não são apenas dados, tem história, cultura, tem tudo". (O Povo - é parceiro de oxereta.com)


Íntegra do discurso de Luciana Dummar, presidente do O POVO

Boa noite,

Nunca o Jornalismo foi tão importante. Sinto isso e tenho a certeza: cada um de vocês aqui nesta noite percebe o mesmo em meio ao ambiente beligerante a contaminar palácios, parlamentos, ruas, mesas e até famílias. O papel do Jornalismo ganha envergadura determinante para que ponhamos pés no chão e mãos em bons apertos.

Não interessa ao País, seja na política, seja na economia, na salubridade das relações pessoais, entre compatriotas, o ambiente tóxico do confronto movido por paixões vazias. Para nós que lidamos com passionalidades a todo o momento, há uma carga extra de gazes letais, contra os quais aplicamos oxigênio, o ar puro e benfazejo do Jornalismo.

Em momentos inflamáveis como este que ora vivemos, vem-me à memória o escritor George Orwell. Ele sabia bem qual o amálgama do totalitarismo e traduziu esta sabedoria em uma frase. “Se liberdade significa alguma coisa, significa o direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir”.

Nenhum governo deve ser tratado com condescendência pela imprensa, nunca, jamais, sob pena de esta mesma imprensa perder sua legitimidade. Uma perda a por em risco a democracia que confere legalidade aos eleitos. As melhores gestões são aquelas cuja maturidade de seus governantes permite lidar com os incômodos do bom Jornalismo.

A propósito, bom Jornalismo, vivemos um tempo em que a conceituação se confunde com a definição do que é propriamente Jornalismo. Este necessário discernimento segue na ordem do dia, ou melhor, do minuto. O território livre da internet, ambiente onde atuamos com recordes de audiência e engajamento, é também espaço para falsas verdades. Também lá, o nosso histórico de confiabilidade é o nosso principal ativo. Notícia e opinião não são commodities.

Quanto mais acirrados os tempos, mais serenos ficamos. Quanto mais dicotômicos, mais equilibrados. À medida que avançam os movimentos de intolerância, mais ponderação buscamos. Aos arroubos da militância de internet, mais prudência.

É assim, indiferente a manadas e preso apenas aos nossos princípios, que o povo atua há 91 anos. Nosso papel tem mais do que dois lados, é plural, mas a escrita é única ela tem o interesse público como balizador de tudo o que produzimos.

Aplicamos este fundamento a cada dia com nossas edições impressas, a cada ano no Anuário do Ceará e a cada instante com nossos portais – do O POVO e do próprio anuário - e em nossas rádios, em Fortaleza, no Cariri e mais recentemente em Teresina. O Piauí marca o começo de nossa expansão além divisas e em breve uma nova e ousada incursão, com o lançamento do Guia de Investimentos de São Paulo.

Nesta expansão nacional São Paulo é só a primeira das praças e tem inspiração no muito bem sucedido projeto Anuário do Ceará. Um produto ancorado no rigor, na precisão e no design, marcas desta casa.

O anuário do ceará chega até vocês esta noite como uma celebração dos valores nos quais acreditamos e procuramos traduzir em forma de conteúdos.

Parabéns a toda a equipe responsável pelo Anuário, a quem abraço com a intensidade de quem vibra com o talento. Um abraço a Amaurício Cortez, seu editor de arte, à editora-executiva, Joelma Leal, e ao editor-geral, Jocélio Leal, a quem confio esta joia do O POVO.

Muito obrigada,

Boa noite