FENÔMENO

Mercúrio passa entre a Terra e o Sol na próxima segunda-feira, 11; fortalezenses poderão observar o fenômeno

Será a quarta passagem do menor planeta do Sistema em frente ao disco solar neste século - as outras vezes foram em 2003, 2006 e 2016

Reprodução/NASA/Bill Ingalls
O último trânsito de Mercúrio aconteceu em 2016. O planeta é avistado como um pequeno ponto escuro em frente a o sol. Neste ano quase todo o planeta poderá assistir; o fenômeno só não será visível na Austrália, em grande parte do continente asiático e no

Na próxima segunda-feira, 11, Mercúrio passará em frente ao Sol e esse “mini-eclipse” poderá ser visto da Terra. Será a quarta passagem do menor planeta do Sistema em frente ao disco solar neste século - as outras vezes foram em 2003, 2006 e 2016. O fenômeno começa às 9h35min (horário de Brasília), com o aparecimento de Mercúrio diante do Sol, e se encerra às 15h04min, com o fim do alinhamento visual do planeta com o astro.

O trânsito não é visível a olho nu por causa do tamanho de Mercúrio e de sua distância em relação à Terra. Enquanto o Sol tem 1,391 milhões de quilômetros de diâmetro, Mercúrio tem apenas 4.879 km. Para apreciá-lo, são necessários instrumentos ópticos apropriados. "Mercúrio é muito pequeno e, em sua órbita elíptica, vai estar quase na menor distância em que pode ficar do Sol. Por isso, não vai ser possível vê-lo transitando pelo disco solar sem a ajuda de binóculos ou telescópios", explica o primeiro-tenente Romário Fernandes, professor de astronomia do Colégio Militar do Corpo de Bombeiros (CMBM).

Em comparação com eclipses solares desencadeados pela passagem da Lua, a mancha de Mercúrio no astro será muito pequena. Enquanto o satélite natural tem 3.474,2 km de diâmetro, sendo menor que Mercúrio, sua distância em relação à Terra é mais de 200 vezes menor que a distância Mercúrio-Terra. “Quando a Lua passa na frente do Sol, ela cobre o Sol. O espaço que a Lua cheia ocupa no céu é o mesmo que o Sol ocupa”, relata o professor.

Além da aproximação por meio de instrumentos ópticos, também são necessários cuidados com a luz solar. A fim de evitar os riscos de cegueira instantânea que uma observação direta do sol ao telescópio oferece, deve-se dispôr de “algo que bloqueie 99% dessa luz”. “É o que a gente faz durante eclipses solares, utilizando óculos específicos para isso”, exemplifica Fernandes.

Quem estiver em Fortaleza e desejar observar o fenômeno, poderá se dirigir ao CMBM. Lá, um telescópio com filtro conectado a uma câmera fará a captura da imagem e esta será projetada em um telão com a ampliação necessária para que os presentes possam visualizar confortavelmente o trânsito de Mercúrio. Óculos especiais também estarão disponíveis.

Estudantes de astronomia do Colégio, que participam de todo o processo de montagem da estrutura e de exibição pública do trânsito, estarão no local para tirar dúvidas do público sobre o fenômeno. Um material informativo com dicas para quem quer começar a observar o céu será distribuído.

O trânsito de Mercúrio
De tempos em tempos, Mercúrio e Vênus passam na frente do disco solar e pode-se observar o movimento aqui da Terra. Como os dois planetas ficam entre a Terra e o Sol, é natural que isso aconteça, mas é preciso condições especiais de inclinação das órbitas. Por isso esses fenômenos não são tão comuns.

O trânsito de Mercúrio acontece 13 ou 14 vezes a cada século, podendo ser avistado em determinados pontos terrestres. A passagem acontece em maio ou novembro. Neste ano quase todo o planeta poderá assistir; o fenômeno só não será visível na Austrália, em grande parte do continente asiático e no Alasca. Segundo a Agência Espacial Americana (Nasa), o próximo trânsito de Mercúrio acontecerá em 2032. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)



SERVIÇO


Observação pública do Trânsito de Mercúrio

Data: 11/11 (segunda-feira)

Horário: de 9h30min a 13h

Local: Colégio Militar do Corpo de Bombeiros - rua Adriano Martins 436, Jacarecanga

Entrada gratuita