FORTALEZA

Turistas reclamam de transtornos com obras na Beira Mar em alta estação

Prefeitura afirma que não recebeu reclamações. Porém, empresa de turismo registra pelo menos 50% de queda nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado. Passeios para outras praias do Litoral têm sido preferência dos turistas

Mauri Melo/O POVO
Obra da avenida Beira, causa trnstorno ao trânsiro e as pessoas.

“Se soubesse que estava assim, teria pensado duas vezes antes de passar férias aqui”, disse o estoquista João Donizete, 35, e muitos outros turistas ouvidos pelo O POVO na orla da avenida Beira Mar na manhã desta quarta-feira, 8. Os buracos no calçadão, o barulho das máquinas e a poeira que se alastra por toda a região têm incomodado e afastado aqueles que visitam a praia pela primeira vez ou já conhecem o local há anos. As obras devem se estender até agosto deste ano, segundo a Prefeitura de Fortaleza, que afirma não ter recebido reclamações de turistas.

O casal de argentinos Ana Araye, 61, e Francisco Caputo, 67, voltou à Capital pela segunda vez em sete meses e reclamou do volume de intervenções. Eles ponderaram que seria melhor realizar as obras em trechos para não afetar tanto as caminhadas pelo calçadão, um dos principais programas que os dois costumam fazer quando visitam a Cidade.

Na noite de terça-feira,7, o casal voltou mais cedo para o hotel quando não encontrou a tradicional feirinha da região, que foi transferida temporariamente para o Aterro da Praia de Iracema devido ao andamento das obras. “Às vezes se tenta fazer algo mais moderno e se perde a história, espero que isso não aconteça aqui”, ressaltou Caputo.

A preocupação é ainda maior com a proximidade da quadra chuvosa. Na última semana, a orla passou por transtornos devido a alagamentos decorrentes das fortes chuvas que banharam a Capital. Em entrevista ao O POVO, Guilherme Gouveia, coordenador de obras da Seinf, apontou que os transtornos acontecem naturalmente durante o período de obras, mas o benefício após a conclusão será permanente.

Além das pessoas que vêm à Capital a passeio, as obras têm impactado setores da economia local diretamente ligados ao turismo na região. É o caso de agências que vendem pacotes turísticos, assim como os comércios da região.

Marcos Ribeiro, 43, trabalha há vinte anos como agente de turismo e afirmou que nunca viu uma queda tão acentuada nas vendas, de pelo menos metade comparado ao mesmo período do ano passado. Ele disse que há casos em que os clientes se planejam para passar um período na Capital e vão embora antes do tempo quando veem a situação da avenida. “Com todos esses transtornos, há uma redução do número de pessoas que transitam pelo calçadão e não temos muitas oportunidades para apresentar os pacotes”, explica.

A estratégia da empresa em que Marcos trabalha tem sido investir mais nas mídias sociais e nas parcerias com hotéis da região, explica Eduardo Venuto, 19, que também trabalha como agente de turismo. O homem aponta que os passeios para outras praias do Litoral têm se tornado a preferência da maioria dos turistas, especialmente após o início das obras. “Muitos que já saem do aeroporto para Jericoacoara, a gente está atendendo essa demanda também”, disse.

O secretário municipal de Turismo, Alexandre Pereira, disse que a Prefeitura não recebeu nenhuma reclamação de turistas em relação às obras da Beira Mar. Ele afirmou ainda que a gestão fez uma pesquisa de satisfação durante o período do Réveillon, que apresentou resultados positivos. "A Beira Mar é o grande cartão postal da Cidade e obviamente uma obra dessa magnitude causa transtornos, mas principalmente para o morador. O turista vem com outra vibe, normalmente quando ele compra o pacote já sabe das obras", argumenta.

Apesar da dificuldade de acesso, tanto para pedestres como para carros particulares, O POVO constatou um número significativo de pessoas tomando banho de mar no trecho da praia próximo à avenida Desembargador Moreira, onde não houve engorda na faixa de areia.

O farmacêutico Salatiel Santos, 25, afirmou que costuma frequentar o local há vários anos e não notou diferença após o início das obras. A situação, no entanto, é distinta do Aterro da Praia de Iracema, onde os banhistas reclamam da profundidade do mar e a secretaria municipal da Infraestrutura (Seinf), responsável pela obra, afirma que a intervenção já foi concluída.  (O Povo - é parceiro de oxereta.com)