ECONOMIA

Alimentos, transporte e despesas pessoais ganham peso no bolso do consumidor de Fortaleza

Em janeiro, inflação na capital cearense avançou 0,28%, acima da média nacional (0,21%), de acordo com IBGE Por Bruna Damasceno

O Povo
Dos produtos que compõem a cesta básica, o tomate foi o maior vilão no primeiro mês de 2020, com 17%, conforme pesquisa

Os gastos com alimentos e bebidas (0,83%), transporte (0,69%) e despesas pessoais (0,66%) somaram-se com força a tantas outras que estremecem as finanças do consumidor neste começo de ano na Capital. Medida pelo índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação da Grande Fortaleza avançou 0,28% em janeiro. O indicador está acima da média do País (0,21%). Os dados são Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dos produtos que compõem a cesta básica, o tomate foi o maior vilão no primeiro mês de 2020, com 17%, conforme o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os aumentos impactam no orçamento familiar, principalmente, porque o gasto entra no bojo das outras contas no início do ano, como a matrícula escolar e os impostos sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU).

Para comprar todos os itens, o trabalhador precisou desembolsar R$ 433,39 em Fortaleza no mês passadp. Valor 7,28% superior a o observado em janeiro de 2018, quando era R$ 403,99. O gasto com alimentação de uma família composta por dois adultos e duas crianças foi de R$ 1.300,17.

O supervisor técnico do Dieese no Ceará, Reginaldo Aguiar, destaca que o aumento impacta na renda das famílias. "A variação de 7,28% é significativa, porque nenhuma categoria de trabalhador conseguiu reajuste salarial nesse patamar", avalia. Ele pondera que, apesar da variação para baixo da carne no mês, ainda é o item mais caro. Outro alimento que deve pesar é o feijão, que teve aumento de 21,9% em um ano.

No ranking das capitais brasileiras, a cesta básica de Fortaleza figura como a 7ª mais barata. São Paulo é a mais cara (R$ 517,51) e Aracaju a de menor custo (R$ 368,69). Mário Monteiro, economista e professor do Centro Universitário Estácio, acredita que Fortaleza deve acompanhar a média da inflação nacional e não ter muitas oscilações ao longo do ano. "Não há margem para o crescimento econômico acelerado". Algo que pode aliviar o bolso do consumidor é a queda da taxa básica de jurps (Selic) para 4,25%, a menor da história. "É algo bom para a retomada de crédito, mas o mercado de trabalho ainda não respondeu", diz.

O economista Alex Araújo pondera que fatores geopolíticos e regionais podem influenciar na oscilação dos preços. "A possibilidade de acirramento da tensão no Oriente Médio pode impactar o valor do petróleo, aumentando o preço do transporte. Já no Ceará, temos uma dependência do regime de chuva para o fornecimento dos alimentos", explica.

O IPCA mostra que o grupo de transportes apresentou variação de 0,69%. Nas despesas pessoais, hospedagens (8,54%) e pacotes turísticos (3,80%) tiveram as maiores variações. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)


Cenário no Brasil

BAIXA RENDA

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda até cinco salários mínimos, registrou 0,19% em janeiro. A taxa é menor do que o 1,22% de dezembro e a menor para o mês de janeiro desde o início do Plano Real, em 1994.

CARNES

Depois de subirem 18,06% em dezembro, os preços das carnes recuaram 4,03% em janeiro, item de maior contribuição negativa para a inflação do mês: -0,11 ponto percentual.