OAB REBATE HELENO

Presidente da OAB rebate Heleno: "Saia de 64 e tente contribuir com 2020"

General que comanda Gabinete de Segurança Institucional disse que apreensão do celular de Bolsonaro poderá ter "consequências imprevisíveis"

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Presidente da OAB rebate Heleno: "Saia de 64 e tente contribuir com 2020"

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, rebateu nesta sexta-feira, 22, nota do ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) classificando como “inconcebível” pedido de apreensão do celular de Jair Bolsonaro. No Twitter, Santa Cruz pediu que o general “saia de 64”, em referência ao golpe militar brasileiro.

Em nota, Heleno afirmou que, caso determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a apreensão poderá ter "consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional". “General Heleno, as instituições democráticas rechaçam o anacronismo de sua nota. Saia de 64 e tente contribuir com 2020, se puder. Se não puder, #ficaemcasa”, rebateu o presidente da OAB.

Na tarde desta sexta-feira, 22, diversas autoridades e organizações da sociedade criticaram a nota do ministro, que classificam como “ameaça” ao Supremo. "A nota do general Heleno é absolutamente inadequada, pois não cabe ao GSI mandar recados ameaçadores a autoridades em uma democracia, e inoportuna, pois parece uma tentativa inútil de desviar o foco das denúncias que pesam contra o presidente. Ninguém está acima da lei", diz o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

A senadora Kátia Abreu (PP-TO) também se manifestou contra a nota: “É muita ousadia e pretensão assistir um ministro general do glorioso exército brasileiro ameaçar a democracia. Faça me o favor meu senhor”.

“O governo Bolsonaro e seus seguidores estão levando o país ao precipício. Uma crise institucional que tende a se agravar com mais mortes causadas pela pandemia e recessão econômica. A nota do general Heleno é uma clara ameaça à ordem institucional e à democracia.”, diz o deputado cearense José Guimarães (PT-CE).

O pedido de apreensão do celular foi apresentado ao STF por deputados de oposição, em notícia-crime anexada à investigação que apura se Bolsonaro teria tentado interferir em inquéritos da Polícia Federal. Nesta sexta-feira, 22, o relator do caso, ministro Celso de Mello, pediu que Procuradoria-Geral da República se manifestasse sobre o tema.

"Caso se efetivasse, seria uma afronta à autoridade máxima do Poder Executivo e uma interferência inadmissível de outro Poder na privacidade do presidente da República e na segurança institucional do País", afirma Augusto Heleno.(O Povo - é parceiro de oxereta.com)