CONSUMO DAS FAMÍLIAS

Intenção de consumo das famílias tem queda histórica, segundo pesquisa da CNC

Na pesquisa, os indicadores de emprego e renda atingiram menor nível, ficando abaixo da pontuação esperada de 100 pontos

Fabio Lima - O POVO
Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, essa queda na intenção de consumo reflete a influência dos impactos econômicos do novo coronavírus

De acordo com pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou 69,3 pontos, menor patamar desde julho de 2016, e acumulou sua terceira retração mensal consecutiva em junho de 2020 (-14,4%). Essa queda na porcentagem é a mais intensa desde o início da realização da pesquisa, em janeiro de 2010.

Esses índices apontam que mais da metade das famílias (58,9%) acredita que vai consumir menos nos próximos três meses, o que indicou o maior percentual desde setembro de 2016. Quanto ao comparativo anual, o recuo do ICF foi ainda maior e registrou -24,1%. Este índice está abaixo do nível de satisfação, que corresponde a 100 pontos, desde 2015.

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, essa queda encontrada na pesquisa reflete a influência dos impactos econômicos do novo coronavírus. “Essa insatisfação na expectativa de consumir corrobora os novos hábitos de compra dos brasileiros, demonstrados, no momento atual, com as famílias mais cautelosas com a sua renda, tanto no curto prazo quanto em relação ao ano passado”, afirma Tadros, em nota.

Empregos em baixa

Também segundo a pesquisa, os indicadores referentes ao mercado de trabalho também mostram um cenário negativo. Desse levantamento, 32,6% dos brasileiros entrevistados não se sentem seguros com o seu emprego atual, sendo este nível o mais elevado da série. O subíndice Emprego Atual registrou suas quedas mais significativas, tanto no comparativo mensal (-12,6%) quanto no anual (-23,7%), caindo ao menor nível histórico de 88,5 pontos.

“É a primeira vez, desde junho de 2016, que esse indicador entra na zona de pessimismo, abaixo de 100 pontos, revelando a insatisfação das famílias nesse sentido”, diz a economista da CNC responsável pelo estudo, Catarina Carneiro da Silva.

Em relação à perspectiva profissional, 60,1% dos entrevistados demonstraram pessimismo para os próximos seis meses, contra 51,5% em maio e 43,5% em junho de 2019. Com recuo mensal de 19,7% e anual de 31,8%, o item também atingiu, neste mês, sua pior pontuação na série: 69,9 pontos.

Nível de renda

A renda atual também foi um indicador que alcançou a menor queda na série histórica, atingindo 84 pontos em junho. As quedas mensal e anual foram de -13% e -21,8%, respectivamente.

O indicador que mede o nível de acesso ao crédito foi o único entre os subíndices que apresentou variação anual positiva (+1,1%), totalizando 87,5 pontos. Apesar disso, o item registrou a segunda queda seguida no comparativo mensal (-5,5%).

De acordo com Catarina Carneiro da Silva, “a proporção de consumidores que afirmam que comprar a prazo está mais difícil aumentou de 37,5%, em maio, para 41%, em junho”.

Aquisição de Bens Duráveis

Referente à aquisição de bens duráveis, o indicador apresenta resultados negativos com quedas mensal e anual entre os índices de junho: -23% e -36,4%, respectivamente. Essa porcentagem foi a pior na história, com uma pontuação total de 40,4.

Ao todo, 77% da parcela de consumidores acreditam ser um mau momento para compra de duráveis, como eletrodomésticos, eletrônicos, carros e imóveis. Este foi o maior percentual registrado por este item desde a primeira Intenção de Consumo das Famílias. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)