ENFERMEIROS RELATAM FALTA DE EPIs

Profissionais do Hospital Universitário Walter Cantídio relatam falta de EPIs no combate à Covid-19

Auxiliares e técnicos de enfermagem são maiores vítimas de Covid-19 entre profissionais de saúde

Os profissionais da saúde do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) da Universidade Federal do Ceará (UFC) relatam que faltam equipamentos de proteção individual (EPIs) para quem trabalha diretamente no combate à Covid-19. A denúncia dá conta de que faltam máscaras e aventais para profissionais do núcleo instalado em abril último.

Uma fonte ouvida pelo O POVO, que terá a identidade preservada, contou que desde o início do mês de maio os profissionais pararam de receber máscaras para cada turno. "São disponibilizadas uma máscara a cada sete dias. O ideal é que seja trocada a cada turno, como diz o fabricante na embalagem. Não temos como armazenar, nossos armários são rotativos", relata. "E não é um material para ser armazenado (após o uso)".

Em uma das imagens enviadas ao O POVO por WhatsApp, é possível ver as máscaras penduradas em uma parede sujeita a contato com sujeira e infecções. "Estamos nos sujeitando a contaminação", diz a fonte, que trabalha como técnica de enfermagem.

Outro profissional contou que não há aventais suficientes para as equipes. Segundo ele, são necessários aventais impermeáveis de gramatura 30, fornecidos apenas para parte da equipe. A outra parte recebe um material menos seguro, segundo profissionais ouvidos pela reportagem. A mudança desses equipamentos aconteceu no começo desta semana.

"Quem usa esses EPIs precisa administrar medicações nos pacientes internados. Qual o respaldo desse EPI ao tratar esses pacientes e ter contato com secreções, por exemplo?", questiona. "O hospital precisa garantir segurança para o profissional. É inadequado o que estão fazendo". O POVO questionou a unidade por meio da assessoria de imprensa.

Por meio de nota, o hospital disse que não há falta de EPIs. "Estamos fornecendo todos os EPIs, conforme orientações do Ministério da Saúde e da Vigilância Sanitária, com acompanhamento da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, em número suficiente para a segurança de nossos colaboradores e para o atendimento de nossos pacientes, conforme nossos protocolos disponibilizados na página do hospital", informou.

Segundo o hospital, a equipe atual voltada para tratamento de pacientes com Covid-19, em cada turno, é composta por um médico diarista, um médio plantonista, dois enfermeiros, quatro técnicos de enfermagem e um fisioterapeuta.

Quanto ao uso e disponibilidade de aventais, a comunicação do Hospital explicou que o recebimento de aventais vem de vários fornecedores, "todos de acordo com as especificações recomendadas pela Vigilância Sanitária, e utilizados conforme o tipo de atendimento". "Variações relativas ao modelo e à cor podem ocorrer, a depender do fornecedor, sobretudo em virtude da escassez de matérias primas no mercado mundial", diz a nota, que segue: "Porém, apesar disso, mantivemos nosso abastecimento regular e todos os produtos adquiridos são avaliados quanto ao atendimento das especificações pelo fornecedor e, em caso de não conformidade, comunicadas oficialmente à Anvisa e substituídos. Atualmente são consumidos mais de 30 mil aventais por mês em nossa instituição, consumo este 200% superior ao consumo anterior".

Sobre o uso de máscaras N95, o Hospital explica que publicações da Anvisa definem que “devido ao aumento da demanda causada pela emergência de saúde pública da Covid-19, as máscaras de proteção respiratória (N95/PFF2 ou equivalente) poderão, excepcionalmente, ser usadas por período maior ou por um número de vezes maior que o previsto pelo fabricante, desde que sejam utilizadas pelo mesmo profissional”. O HUWC "tem pautado as suas recomendações conforme as principais publicações da Anvisa e das Sociedades de Especialidades", diz.

"O prazo de até 7 dias de uso (das máscaras), padronizado para a troca da máscara N95 em UTIs, considera dias corridos. Entretanto, nenhum trabalhador em nossa instituição trabalha 7 dias corridos, o que se traduz, por exemplo, para médicos em 2 usos destas máscaras (2 plantões de 12h por semana), considerando um técnico de enfermagem ou enfermeiros com carga-horária de trabalho de 36h semanais (3 plantões de 12h por semana), em 3 usos", contextualiza.

"Em nossa instituição, todos os protocolos de uso de N95 descrevem que, quando a máscara apresentar sujidade aparente, deformações, dificuldade de vedação, falhas em tiras, umidade, dentre outros, o profissional solicitará uma nova, justificando o que ocorreu, como boa prática de uso racional de recursos públicos. Isso tem assegurado, em todos os nossos anos de atividade, segurança, troca oportuna e responsabilidade profissional na declaração da falha, o que ganha maior relevância ainda diante da escassez deste recurso em todo o mundo", finaliza.

Covid-19 entre profissionais de enfermagem

Por trabalhar na linha de frente do combate à Covid-19, os profissionais de enfermagem (técnicos, auxiliares e enfermeiros) são diretamente afetados. No último dia 6, O POVO noticiou que casos de Covid-19 entre esses profissionais chegaram a dobrar no período de duas semanas, no País. Naquele momento, o Ceará já havia registrado cinco mortes.

Na última terça-feira, 19, a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) informou que auxiliares e técnicos de enfermagem são maiores vítimas de Covid-19 entre profissionais de saúde. Classe representa 50% do número de óbitos e 30% dos casos confirmados de infecção por coronavírus entre esses profissionais. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)