PESQUISA

Pesquisa: na mesma profissão, homem branco chega a ganhar mais que o dobro que mulher negra

Estudo publicado em julho deste ano apurou o salário por raça e gênero no País para cinco profissões

Reprodução/Insper
Alguns dos gráficos da pesquisa "Diferenciais Salariais por Raça e Gênero para Formados em Escolas Públicas ou Privadas", do Insper

O diploma de ensino superior ainda não garante uma inserção justa das mulheres negras no mercado de trabalho do Brasil. É o que evidencia um levantamento do Insper, instituição sem fins lucrativos dedicada ao ensino e à pesquisa. Dependendo da profissão, um homem branco chega a ganhar mais que o dobro do que as mulheres negras recebem para executar o mesmo trabalho.

O estudo publicado em julho deste ano apurou o salário por raça e gênero no País, com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2016 e 2018.

Cinco profissões foram analisadas: engenheiros e arquitetos, médicos, professores, administradores e cientistas sociais. Em todas, as mulheres negras recebem menos do que homens - tanto brancos como negros - e do que mulheres brancas.

Em todas as ocupações, a pesquisa revela que o salário médio de uma mulher negra com diploma universitário de instituição pública é de R$ 3.047,51, enquanto as que cursaram universidades privadas têm uma remuneração média de R$ 2.902,55.

No topo da remuneração, os homens brancos formados em universidades públicas têm um salário médio de R$ 7.891,78, e os que possuem ensino superior privado alcançam um ganho médio de R$ 6.626,84. Portanto, uma diferença em relação às mulheres negras de 159% e 128%, respectivamente.

Um dos abismos mais evidentes revelado pela pesquisa foi observado na Medicina. Entre os formados em universidade pública, as mulheres negras têm um salário médio de R$ 6.370,30, enquanto os homens brancos ganham R$ 15.055,84. No grupo de médicos que cursou Medicina em instituições privadas, a remuneração é de R$ 3.723,49 e R$ 8.638,68, respectivamente.

Na área de Ciências Sociais, uma outra diferença gritante: um homem branco formado em universidade pública tem um salário de R$ 8.814,05. A mulher negra recebe R$ 4.141,69.

O trabalho foi conduzido pelos pesquisadores do Insper Beatriz Ribeiro, Bruno Komatsu e Naercio Menezes Filho. "Mesmo entre os que estão na mesma profissão, sempre há um diferencial alto de salário em função da cor ou do sexo, em que os homens brancos estão sempre ganhando mais", diz o coordenador da Cátedra Ruth Cardoso no Insper, Naercio Menezes Filho ao portal G1. "Isso aponta para a existência de discriminação no mercado de trabalho."

Diferenças regionais

Quando é observada a divisão de salários a depender do estado brasileiro onde foi realizado o ensino superior, é possível notar que os maiores salários, em particular de quem fez o ensino superior em instituição pública, estão no Distrito Federal, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Enquanto isso, os menores salários estão no Acre, em Tocantins, no Maranhão, no Piauí, no Ceará e na Paraíba (Gráfico 4). No Ceará, o levantamento mostra que as remunerações de quem cursou o ensino superior público ou privado não chegam a superar a média de R$ 3 mil.


Com informações do portal G1