VACINA SÓ EM 2022

Maioria da população terá de esperar até 2022 para ser vacinada, diz OMS

Para cientista-chefe da entidade, vacina deve sair em 2021, mas produção será limitada

Reuters/SIPHIWE SIBEKO
De acordo com a OMS, não haverá uma capacidade de produção suficiente para abastecer o mundo com vacinas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) grande parte da população mundial terá de esperar, provavelmente, até 2022 para ser vacinada contra a Covid-19, apesar dos avanços da ciência.

"Para uma pessoa comum, para uma pessoa jovem e saudável, talvez terá de esperar até 2022 para ter a vacina", declarou a cientista-chefe da entidade nesta quarta-feira, 14, Soumya Swaminathan. Para ela, o mundo deve ter uma vacina em 2021. Mas será "em quantidade limitada".

Conforme o colunista Jamil Chade, do portal UOL Notícias, a OMS insiste que não haverá uma capacidade de produção suficiente para abastecer o mundo com vacinas. De acordo com a agência de Saúde, a prioridade será a de garantir a vacina para profissionais do setor de saúde, idosos e pessoas com condições de vulnerabilidade. Juntos, esses grupos não somam sequer 20% das populações dos países.

Soumya indica que a esperança é de que, ao vacinar uma parcela da população, a meta é de que a taxa de mortalidade seja reduzida e que a transmissão possa cair."Nunca ninguém produziu vacinas nessa quantidade", disse. "Não é que, no dia 1º de janeiro de 2021, seremos todos vacinados e a vida vai voltar ao normal", alertou.

Interromper cadeia de transmissão

Segundo a cientista-chefe da OMS, para que a vacina gere uma imunidade de rebanho, 70% da população mundial terá de receber o produto, cerca de 5 bilhões de pessoas. Nesse momento, portanto, a cadeia de transmissão é interrompida.

Maria van Kerkhove, diretora técnica da OMS, insiste que o mundo não precisa esperar a vacina para todos para garantir um controle do vírus. "Temos instrumentos hoje para impedir transmissão", disse a americana, destacando como governos de diferentes partes do mundo conseguiram manter taxas baixas de contaminação, mesmo sem a vacina.

"Esse é um vírus que podemos controlar", insistiu. De acordo com a OMS, o "enorme salto" no número de casos nos últimos dias poderá ser seguido, nas próximas semanas, por aumento no número de mortes. Mas a esperança é de que, com médicos mais preparados e alguns tratamentos com resultados para casos mais graves, a taxa de mortalidade não seja a mesma do pico da doença entre março e abril.

Outros fatores que podem pesar é o fato de as pessoas estarem sendo diagnosticadas mais cedo e que a parcela da população mais atingida agora são mais jovens. Ainda assim, Soumya atenta que o mundo não pode adotar uma postura de complacência. "Ainda perdemos 5 mil pessoas por dia", ponderou.

Lockdowns

A OMS ainda afirmou que "nunca recomendou" um lockdown completo de países e que sempre insistiu que pacotes de medidas eram necessários para superar a pandemia."Não recomendamos lockdown", disse Maria. Ela, porém, admite que certos países precisavam "ganhar tempo" para desafogar seus sistemas de saúde, saturados de casos e com UTIs lotadas.

"Alguns países não tiveram opção", explicou. Ela espera que, diante da segunda onda da doença, governos optem por medidas localizadas, com ações focadas em regiões mais afetadas. (O Povo - é parceiro de oxereta.co)