REINFECÇÃO POR COVID-19

Sesa busca 160 pacientes que teriam "contraído" duas vezes Covid-19

O estudo leva em consideração pacientes que, em um prazo de 21 dias ou mais, realizaram dois exames moleculares, conhecidos como RT-PCRS, e tiveram resultado positivo para a patologia em ambos

Aurelio Alves - O Povo
167 pessoas no Ceará apresentaram dois exames positivos para a doença no intervalo de 21 dias ou mais; 7 faleceram

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) busca por 160 pacientes de diversas regiões do Estado que testaram positivo duas vezes para Covid-19. De acordo com informações da pasta, divulgadas nesta quinta-feira, 15, especialistas realizam uma triagem no banco de dados do órgão para identificar as pessoas que se enquadram nesse perfil, investigando se casos são realmente de reinfecção e aprofundando estudos sobre a doença.

Segundo a coordenadora da Vigilância Epidemiológica e Prevenção da Sesa, Ricristhi Gonçalves, a triagem leva em consideração pacientes que - em um prazo de 21 dias ou mais, realizaram dois exames moleculares, conhecidos como RT-PCRS, e tiveram resultado positivo para a patologia em ambos. Inicialmente, 167 pessoas faziam parte desse grupo no Estado, mas sete morreram.

O intuito da investigação, segundo a coordenadora, é saber se o paciente teve uma "doença longa", com reincidência dos sintomas, ou se ele realmente foi contaminado duas vezes pelo vírus. O processo deve permitir um avanço dos estudos sobre a forma como o novo coronavírus se comporta no organismo.

Pesquisa enfrenta desconfiança popular

Ricristhi afirma que ainda não existe um perfil dos pacientes que teriam sido contaminados duas vezes, pois investigação está na fase inicial. Nesse primeiro momento, um grupo de enfermeiros permanece ligando para esses pacientes, informando sobre a pesquisa e pedindo autorização para irem até suas residências, momento onde deve ser aplicado um questionário.

Depois da aplicação do questionário, os profissionais decidem se a amostra colhida do paciente durante exames deve ser enviada para um sequenciamento genético, etapa em que será analisado possíveis variações do vírus. O "trabalho de campo", segundo a coordenadora, é importante para levantar o "máximo de evidências possíveis" de que a pessoa tenha passado por dois episódios da doença.

No entanto, alguns pacientes se recusam a participar dos estudos e não aceitam a visita dos profissionais em casa, por desconfiança ou medo. Segundo a coordenadora, a pesquisa "depende da adesão das pessoas" para ter continuidade, mas ela estima que ainda neste mês os profissionais terminem de selecionar pacientes para que a etapa de sequenciamento tenha inicio.

Até às 9h28min desta quinta, o Ceará tinha 262.567 casos confirmados de novo coronavírus e registrava 9.192 mortes. Os dados foram levantados pela plataforma IntegraSUS, da Sesa. 226.732 pessoas já se recuperaram da doença no Estado.

Casos de reinfecção

A possibilidade de reinfecção do novo coronavírus têm sido estudada por especialistas do mundo inteiro. Em agosto deste ano, pesquisadores de Hong Kong anunciaram que haviam descoberto "o primeiro caso comprovado no mundo de reinfecção da Covid-19".

No mesmo mês, um estudo da Universidade de São Paulo (USP) conduzido pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP) já considerava a possibilidade de reinfecção pelo vírus. A pesquisa analisava a recorrência da doença em uma mulher que atuava na área da saúde e que testou positivo duas vezes para a patologia.

Apesar dessas análises, a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca casos de reinfecção como sendo "incomuns". Para estudar ocorridos, especialistas levam em consideração a possibilidade do paciente ter tido uma reincidência de sintomas, o que corresponde dizer que ele apresentou uma melhora do quadro de saúde, mas em seguida tornou a sentir as manifestações da doença no corpo. 

Em parceria com a repórter Catalina Leite (O Povo - é parceiro de oxereta.com)