TIANGUÁ

Prefeito de Tianguá diz que UTIs ocupadas não se devem a Bolsonaro, mas a municípios vizinhos

Menezes (PSD) atribuiu lotação de leitos a alta demanda de municípios da Serra da Ibiapaba. Tianguá é a única cidade com leitos de UTI ativados

Júlio Caesar - O Povo
Bolsonaro durante evento em Tianguá, no Ceará

Incomodado com matéria do O POVO que estabelece conexão entre as aglomerações promovidas pelo presidente Bolsonaro (sem partido) em Tianguá e a alta na taxa de ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), em 100% por vários dias, após passagem da comitiva presidencial, o prefeito Luís Menezes (PSD) argumentou que a realidade adversa se deve a municípios vizinhos, com infectados que demandam a rede hospitalar da cidade.

"O que tá cheio de paciente aqui é porque Viçosa, os prefeitos nunca se preocuparam em montar bom hospital. Ibiapina, Camocim, São Benedito... Quem fez alguma coisa e se preparou para o Covid fui eu", defendeu Menezes em entrevista a O POVO. "Como eu sou município polo, colaboro com o Estado (recebendo pacientes)", justificou ainda.

Dos municípios da Serra da Ibiapaba, somente Tianguá tem leitos de UTI ativos. A cidade também lidera os casos na Região, de acordo com a plataforma Integrasus, do Governo do Ceará. Outras cidades que integram a região são: Viçosa do Ceará, Ubajara, Ibiapina, São Benedito, Carnaubal, Guaraciaba do Norte, Ipu e Croatá.

Menezes não economiza no tom ao se defender e, em paralelo, criticar os colegas prefeitos. "Não dá para crucificar Tianguá, porque Tianguá é maravilhosa, cidade maravilhosa. Estamos tentando sobreviver. Não temos culpa de receber outros pacientes. Somos uma cidade polo. Os outros municípios estão gastando com o que?", ele indaga.

Na passagem pelo Ceará, Bolsonaro se cercou de parlamentares cearenses e ministros, a maioria deles sem máscaras. Estiveram com ele os estaduais André Fernandes (Republicanos) e Delegado Cavalcante (PSL), e os federais AJ Albuquerque (PP), Domingos Neto (PSD), Capitão Wagner (Pros) e Dr. Jaziel (PP).

Conforme publicado por O POVO, dois dias antes de o presidente baixar em Tianguá, em 24 de fevereiro, a taxa de ocupação dos leitos de UTI estava em 90%. Dia seguinte, 25, caiu para 80%.

O percentual se manteve no dia da visita de Bolsonaro. Já no dia posterior ao da passagem dele, 27 de fevereiro, a ocupação saltou para 100%. À exceção do dia 28, sobre o qual não há informações no Integrasus, os leitos de UTI estiveram inteira e ininterruptamente ocupados até o dia 10 de março.

O Hospital e Maternidade Madalena Nunes, administrado pela empresa São Camilo, possui 21 leitos de UTI desde o último dia 15, pois recebeu 11 novas unidades.

A plataforma Integrasus, do Governo do Ceará, mostra que 19 dos 21 leitos de UTI da unidade estão ocupados, o equivalente a 90,48%. Os números são deste sábado, 20.

Menezes afirma que, mesmo com a decretação de lockdown em todo o Ceará, prorrogado até o próximo dia 28, moradores da cidade ainda têm feito encontros clandestinos. "Nosso povo não foi educado adequadamente para sobreviver a uma pandemia dessa."

Questionado se permitiria que aquele evento protagonizado por Bolsonaro acontecesse novamente, ele afirmou que não manda no presidente e, ainda que mandasse, não seria "indelicado" com ele.

"Não tenho autoridade de proibir que o presidente da República de vir aqui, nem o governador. Manda quem pode e obedece quem tem cabeça. Não seria indelicado, porque ele viria aqui trazer uma obra (viária) parada há 12 anos."

O gestor frisou que não é ligado politicamente a Bolsonaro. "Eu não sou apaixonado por ele, não, sou sujeito sério."  (O Povo - é parceiro de oxereta.com)