JOGOS OLÍMPICOS 2020

As chances de o Brasil bater recordes de medalhas na Olimpíada de Tóquio-2020

Especialistas apontam possibilidade de medalhas em novas modalidades do programa olímpico, como skate e surfe, deixam o País com projeções positivas em solo japonês

Divulgação/COB - Eduardo Brás - GShok - capa
Isaquias Queiroz conquistou três medalhas olímpicas no Rio-2016 / Pamela Rosa foi campeã mundial em 2019 no skate street

O Brasil teve a melhor participação em Olimpíadas no Rio de Janeiro-2016. Recorde de 19 medalhas, sendo sete de ouro, seis de prata e seis de bronze, deixou o Brasil em 13º no quadro geral, acima de países tradicionais como Espanha, Cuba e Canadá. Depois de um feito histórico, a expectativa do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) é de igualar a marca de cinco anos atrás. Internacionalmente, projeção feita pela Nielsen Company, coloca a delegação brasileira com 20 medalhas, na 14ª posição do ranking geral.

O jornalista Marcelo Romano avalia que as modalidades adicionadas ao programa dos Jogos Olímpicos, como surfe e skate, podem impulsionar o desempenho em Tóquio. Até pelo fato de a delegação ter dois favoritos para o pódio no surfe masculino: Ítalo Ferreira, atual campeão e líder do ranking, e Gabriel Medina, bicampeão mundial e atual vice-líder. No skate, o panorama também é positivo. No feminino, Pamela Rosa é líder, Leticia Bufoni, é quarta colocada, tal qual Pedro Barros, no masculino.

“No surfe, Gabriel Medina e Ítalo Ferreira são candidatos à medalha de ouro. O mesmo acontece no skate, tem provas que as atletas são muito parecidas, pode ganhar a Pamela Rosa ou Letícia Bufoni. Pelo que a gente acompanha no circuito mundial, é questão de um bom dia para ter chances. No boxe, tem a Bia Ferreira, que vem em fase espetacular, atual campeã mundial. Ela é bem favorita”, lista Marcelo Romano.

A boxeadora brasileira compete na categoria até 60 kg, do boxe feminino. Ela é considerada uma das atletas com maiores chances de terminar no lugar mais alto do pódio, fazendo o hino nacional tocar em terras nipônicas. Aos 28 anos, a baiana — criada em Juiz de Fora (MG) — levou o título no Mundial de Boxe de 2019, derrotando a chinesa Cong Wang na final por decisão unânime dos jurados.

Enquanto existe um claro favoritismo do Brasil em certas modalidades, outras causam incerteza sobre o desempenho que terão entre julho e agosto em terras japonesas. O jornalista Marcelo Laguna destaca que a preparação de vôlei de quadra e vôlei de praia, modalidades em que o Brasil levou ouro e prata em 2016, foram afetadas pela pandemia.

“A pandemia não mudou o cenário de modalidades como surfe e skate. Não dá para prever como o Brasil chega em vôlei de quadra e de praia, onde é tradicionalmente forte. São modalidades em que teve problemas de preparação, e outros países também tiveram. Foram problemas como organizar seus campeonatos e competir no exterior. Apesar de tudo isso, o COB até acha que, das poucas competições disputadas, o Brasil teve bom desempenho”, destaca Marcelo Laguna.

Os especialistas Marcelo Romano e Marcelo Laguna acreditam que o Brasil deve repetir as 19 medalhas conquistadas no Rio de Janeiro, mas a delegação brasileira pode não conseguir igualar a marca de sete ouros.


Brasileiros com mais chance de medalhas

Perfis dos brasileiros favoritos a medalha na Olimpíada de Tóquio-2020


Isaquias Queiroz - canoagem velocidade masculina

O baiano de 27 anos é a maior esperança para subir ao pódio na canoagem velocidade. No Rio-2016, fez história ao se tornar o primeiro atleta brasileiro a ganhar três medalhas olímpicas em uma mesma edição dos Jogos Olímpicos. Ele conquistou duas pratas, na C1 1000m e C2 1000m (esta com Erlon Silva), e um bronze, na C1 200m. Após o feito histórico, o canoísta manteve a rotina de medalhas, sendo campeão mundial de 2019 na categoria C1 1000m.

Martine Grael / Kahena Kunze - vela feminina

As velejadoras de 30 anos fazem parte do seleto grupo da elite olímpica do Brasil. Competindo na classe 49er FX, a dupla ganhou a medalha de ouro na Rio-2016. Depois de quase cinco anos da maior conquista entre as parceiras, elas continuam na elite mundial da vela, tanto que ficaram com a prata no Mundial de Auckland (Austrália), em 2019. O bom desempenho em competições internacionais evidenciam a força de Martine e Kahena na luta pelo bicampeonato olímpico.


Beatriz Ferreira - boxe feminino (60kg)

Beatriz Ferreira é atual número 1 do ranking mundial de boxe na categoria até 60kg

A boxeadora faz sua estreia em Jogos Olímpicos sendo considerada a melhor da categoria até 60kg do mundo, de acordo com ranking Associação Internacional de Boxe Amador (Aiba), divulgado em julho do ano passado. Com 28 anos, a atleta ganhou o Campeonato Mundial de Boxe em 2019, derrotando a chinesa Cong Wang por decisão unânime na final. Além disso, também levou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima, também em 2019.


Henrique Avancini - ciclismo mountain bike

Henrique Avancini compete no ciclismo mountain bike e é o primeiro lugar do ranking mundial

O experiente mountain biker vive a melhor fase de sua carreira, após ter vencido duas etapas da Copa do Mundo de ciclismo mountain bike no ano passado. Com 32 anos, fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a liderar o ranking mundial da modalidade. Reconhecido como o melhor tupiniquim da modalidade, Avancini se colocou entre os melhores do mundo e terá condições de integrar o quadro de medalhistas do Brasil.


Pamela Rosa - skate street feminino

Pamela Rosa foi campeã mundial em 2019 no skate street

Com o skate estreando nos Jogos Olímpicos, Pamela Rosa está entre as favoritas ao primeiro título no skate street. A brasileira é a atual campeã mundial da categoria, após ter ganhado o troféu em 2019, além de ser a primeira colocada no ranking mundial. Com apenas 21 anos, a skatista chegará a Tóquio no auge da carreira e é cotada para ganhar o ouro na estreia da modalidade.


Letícia Bufoni - skate street feminino

Leticia Bufoni é recordista de medalhas em X Games, a mais tradicional competições de esportes radicais

Leticia Bufoni é recordista de medalhas em X Games, a mais tradicional competições de esportes radicais
Ainda que não seja considerada favorita ao ouro como a compatriota Pamela Rosa, a skatista de 27 anos possui uma das carreiras mais brilhantes do skate feminino. Competindo no street é forte candidata para subir ao pódio em Tóquio. Afinal, experiência é o que não falta. Atualmente em quarto lugar no ranking mundial, é recordista de medalhas em X Games, com 11, além de ter o de maior número de vitórias na Copa do Mundo de skate street.


Ítalo Ferreira - surfe masculino

Italo Ferreira é o atual campeão mundial de surfe

O surfista potiguar é o atual campeão do Circuito Mundial de surfe, além de liderar a classificação da atual temporada. Aos 26 anos, o brasileiro conquistou seu único título mundial ao superar o compatriota Gabriel Medina. Isso aconteceu em 2019, quando a dupla brasileira disputou o título até a última etapa do circuito. Em ótimo momento na carreira, chega com respaldo para subir ao pódio na estreia da modalidade em Jogos Olímpicos.


Gabriel Medina - surfe masculino

Gabriel Medina é bicampeão do Circuito Mundial de Surfe

O surfista é bicampeão do Circuito Mundial de surfe, levantando o troféu em 2014 e 2018. A primeira conquista teve requintes históricos, visto que se tornou o primeiro brasileiro a ser campeão mundial de surfe, quando tinha apenas 20 anos. Agora com 27, o paulista integra a elite do esporte, tanto que disputou o título nos últimos seis anos. A dobradinha experiência e currículo vitorioso colocam o atleta brasileiro entre os favoritos na Olimpíada.


Thiago Braz - salto com vara

Thiago Braz foi ouro no salto com vara no Rio-2016 e sonha em repetir a façanha na Olimpíada de Tóquio

O atleta chegou na final do salto com vara sem muito alarde, mas surpreendeu os adversários e conquistou o ouro no Rio-2016 — com recorde no evento: 6,03m. Thiago se tornou o primeiro campeão olímpico no atletismo masculino do Brasil desde Joaquim Cruz, em Los Angeles 1984. Com 27 anos, o brasileiro almeja subir novamente no pódio, ainda que em um contexto semelhante ao dos últimos Jogos Olímpicos — sem ser favorito. O jovem fenômeno sueco Mondo Duplantis, recordista mundial aos 21 anos, subiu o sarrafo da modalidade e promete brigar pelo ouro.


Arthur Nory - ginástica artística masculina

O ginasta Arthur Nory aposta na versatilidade para faturar segunda medalha olímpica na carreira

O ginasta tem a adaptabilidade como trunfo. O atleta foi campeão mundial na barra fixa em Stuttgart-2019. Já na Olimpíada do Rio de Janeiro-2016, a medalha de bronze veio no solo, enquanto nos Jogos Pan-americanos de Lima-2019, conquistou a prata no individual geral e na barra fixa, além do ouro por equipes. Aos 27, o ginasta vai buscar usar da sua capacidade para subir ao pódio e manter a rotina de ganhar medalhas em que se habituou na carreira.


Ana Marcela Cunha - maratona aquática

Ana Marcela Cunha busca primeira medalha olímpica na maratona aquática

Aos 29 anos, a baiana disputa a terceira Olimpíada da carreira em Tóquio. A atleta da maratona aquática terminou na quinta colocação em Pequim-2008 — quando tinha 16 anos — e em décimo no Rio-2016. Para conquistar a primeira medalha em Jogos Olímpicos, a brasileira se inspira em momentos de glória da carreira. Afinal, são mais de dez medalhas em Campeonatos Mundiais, além do ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2019.

Alison e Álvaro Filho - vôlei de praia masculino


Alison e Álvaro almejam manter a força do Brasil no vôlei de praia masculino

A dupla do vôlei de praia masculino vive um momento de bons resultados em etapas no Circuito Brasileiro. Por isso, chega a Tóquio com condições de ganhar medalha para o Brasil. Alison já participou de dois Jogos Olímpicos e ganhou duas medalhas. Em Londres-2012, ao lado de Emanuel, foi derrotado na final, terminando com a prata. Já na Rio-2016, ao lado de Bruno Schmidt, conquistou o ouro. Com novo parceiro, Alison quer subir ao pódio pela terceira vez. Evandro e Bruno Schmidt são a outra dupla nacional, que promete lutar por medalha.



Ágatha e Duda - vôlei de praia feminino


Agatha e Duda lideram o ranking nacional do vôlei de praia feminino

A caminhada da dupla no Circuito Nacional é marcada por conquistas no Circuito Brasil de vôlei de praia, tanto é que estão na primeira colocação no ranking nacional feminino. Chegou a hora do sucesso deixar um pouco o litoral brasileiro e viajar para o outro lado do mundo, para ganhar uma medalha em Tóquio. Apostando na juventude de Duda, 22, e na experiência de Ágatha, 37, — prata na Rio-2016, ao lado de Bárbara — a dupla é forte candidata em manter a tradição brasileira na modalidade. A cearense Rebecca, ao lado de Ana Patrícia, também quer competir por medalha.


Seleção brasileira de vôlei masculino

Seleção brasileira masculina de vôlei está entre as cotadas para disputar o ouro em Tóquio-2020

A seleção brasileira de vôlei masculina disputa a Olimpíada de Tóquio em busca da sétima medalha no evento. O ouro veio em três oportunidades: Barcelona-1992, Atenas-2004 e Rio-2016. Já a prata foi conquistada em Los Angeles-1984, Pequim-2008 e Londres-2012. As últimas quatro medalhas foram sob o comando de Bernardinho, que deixou a seleção em 2017. Agora com o técnico Renan Dal Zotto — craque do time da primeira medalha, a prata de 1984 —, a expectativa é positiva, visto que teve bom desempenho em competições recentes.


Seleção brasileira de futebol masculino

A seleção olímpica do Brasil aposta na geração promissora para conquistar o segundo ouro na Olímpiada de Tóquio

Não existe competição em que a seleção masculina de futebol não entre como favorita. Atual campeão do futebol masculino, o Brasil conseguiu o ouro inédito na Rio-2016, liderado por Neymar e cia. Com seis medalhas conquistadas em Jogos Olímpicos, sendo três de prata e duas de bronze, os comandados de André Jardine são candidatos ao segundo ouro olímpico, muito por conta de uma geração com bons jovens jogadores. Como também é ano de Copa América, a tendência é que a equipe brasileira não convoque jogadores renomados acima da idade limite de 24 anos. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)