AJUDA HUMANITÁRIA

Talibã e Estados Unidos negociam envio de ajuda humanitária ao Afeganistão

Reunião entre representantes do governo estadunidense e do grupo que tomou controle do Afeganistão aconteceram em Doha, no Qatar; envio de ajuda não será condicionado ao reconhecimento do Talibã como governo

Aamir QURESHI / AFP
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, discursa em uma entrevista coletiva em Cabul em 7 de setembro de 2021. Além de Estados Unidos, Rússia, Índia, China e Paquistão têm negociado ajuda humanitária para o Afeganistão

Representantes do Talibã e dos Estados Unidos se reuniram nesse domingo, 10, em Doha, no Qatar. A discussão envolveu o envio de ajuda humanitária ao Afeganistão.

Desde então, governos de vários locais do mundo promoveram a retirada de seus cidadãos do Afeganistão. As ações foram feitas às pressas por receio de que o Talibã usasse a vantagem bélica - o exército afegão se rendeu sem resistência, e os Estados Unidos deixaram uma infinidade de equipamentos militares no país - para perseguir estrangeiros.

Dezenas de milhares de cidadãos do próprio Afeganistão, todavia, permanecem no país, que tem a economia destruída por sucessivos conflitos desde a década de 1970. Com a volta do Talibã ao comando do governo, a preocupação com o envio de ajuda humanitária tornou-se ainda maior.

Governo Talibã dificultou ajuda humanitária no Afeganistão

O Talibã governou o Afeganistão entre 1996 e 2001. O período foi marcado pela aplicação de uma versão extremista da Shariah, a lei islâmica, e pelos obstáculos impostos para que organizações internacionais fornecessem ajuda humanitária ao país.

Após o ataque contra as Torres Gêmeas, em 2001, os EUA invadiram o país sob o pretexto de destruir a Al Qaeda, organização terrorista responsável pelo atentado. O grupo, que era liderado por Osama bin Laden, possuía laços estreitos com o Talibã, tendo o Afeganistão como local seguro para operar.

Com a ocupação de tropas internacionais por mais de 20 anos, o Afeganistão não desenvolveu uma infraestrutura nacional coesa. Na saída dos militares estadunidenses, o Talibã reconquistou todo o território do país em poucos dias, quase sem resistência ao avanço.

Diversos países e órgãos internacionais, porém, têm exercido pressão para que o Talibã não desfaça alguns avanços obtidos ao longo das duas décadas. As negociações giram, primariamente, sobre direitos humanos, igualdade de gênero e liberdade religiosa. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)