PANDEMIA

Saiba quando fazer o teste de Covid-19 e como cada um funciona

Os testes têm sido cada vez mais procurados após o início das epidemias de síndromes gripais no País e aumento de casos de Covid-19

MARIO TAMA - GETTY IMAGES NORTH AMERICA - GETTY IMAGES VIA AFP
Exame swab nasofaríngeo Covid a uma pessoa, em meio a um aumento de casos da variante Ômicron (

Com a proliferação da Ômicron, variante da Covid-19 muito mais transmissível, e o aumento de casos de gripe, a procura por testes que identifiquem as doenças aumentou na Capital cearense e no resto do País. Os sintomas iniciais da Covid e da gripe são parecidos, então é comum confundir as enfermidades; daí a importância da testagem para que o tratamento e os procedimentos de biossegurança sejam cumpridos corretamente. O POVO listou as principais dúvidas sobre os exames.

Todos os testes possuem procedimentos similares, em que material biológico é coletado do nariz com um “swab”, ou seja, um cotonete que é inserido por via nasal ou por via oral.

Ao todo, existem dois tipos de teste que são realizados dessa forma. Tanto para o vírus da gripe, como para o vírus da Covid-19. O consultor em Infectologia da Escola de Saúde Pública do Ceará, Keny Colares, explicou como cada teste funciona e indica quais são suas vantagens e desvantagens.

RT-PCR

O teste PCR detecta o genoma do vírus que causa a doença, ou seja, o seu material genético. De uma forma geral, os testes de PCR são um pouco mais caros e os resultados demoram mais para ficarem prontos, mas eles alcançam um grau de assertividade maior e são considerados “padrão ouro” pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Antígeno

O teste do antígeno analisa pedaços do vírus que causam a doença. Esses tipos de teste estão disponíveis nas farmácias e podem ser feitos na hora, sem demora para receber o resultado. Embora seja mais acessível e prático, os resultados não são confiáveis como o do PCR, ou seja, se o indivíduo estiver com o vírus, mas não em grande quantidade, ele pode deixar passar como negativo.

Qual é o melhor teste?

Apesar de cada teste conter uma particularidade, a necessidade do indivíduo que o procura também deve ser levada em consideração. "O melhor teste depende da situação", diz Keny Colares. "O melhor dia para coletar é no primeiro dia de sintomas, quanto mais melhor para tomar as providências e, com o passar dos dias, depois de cinco a uma semana, os teste começam a não dar mais positivo, porque a pessoa já está eliminando o vírus", completa.

Podemos ficar fazendo os testes para descobrirmos se já estamos curados?

Para pessoas que já testaram positivo para a Covid, não é recomendada a realização de exames para saber se já está curada. Os testes, principalmente o PCR, podem ficar positivos por várias semanas mesmo em pessoas que já estão curadas. "São restos, pedacinhos do vírus morto que podem ainda ser encontrados", explica Keny. A recomendação é que o paciente fique em isolamento por 10 dias. Após esse período de isolamento, se o indivíduo estiver bem, sem febre e sem outros sintomas, ele pode sair do isolamento.

"Não é recomendado testes para fazer essa saída do isolamento por conta disso, o teste muitas vezes vai dar positivo, mesmo se a pessoa estiver bem. Então, é mais baseado no tempo e baseado nos sintomas que a pessoa está apresentando", afirma Colares.

Qual é a diferença entre os testes virológicos e os sorológicos?

Os testes virológicos detectam diretamente o vírus e os testes sorológicos detectam os anticorpos que o corpo produz quando entra em contato com esses vírus.

De uma forma geral, os testes virológicos são os testes que detectam o genoma do vírus, como o PCR e o teste de antígeno. Esses testes são os mais utilizados para fazer diagnóstico de pessoas que estão sob suspeita de Covid.

Os testes de anticorpos geralmente informam se a pessoa já teve contato. Eles demoram muito a ficar positivos e, por esse motivo, não têm sido muito úteis para fazer o diagnóstico Covid.

Os testes sorológicos detectam os anticorpos IgM, IgA ou IgG.

Existe falso positivo e falso negativo?

"Não é muito comum ter falso positivo", diz Keny, se referindo aos testes PCR e de antígeno. "O ponto fraco dele é o falso negativo", continua. Conforme o consultor, às vezes, os testes podem dar negativo mesmo quando o indivíduo está com o vírus. Isso acontece devido à quantidade mínima de vírus que está presente no organismo, o que ocorre quando a doença está em suas fases iniciais e finais.

Contudo, o teste de antígeno "erra" mais do que o teste PCR. "Se a pessoa tiver a quantidade um pouquinho menor de vírus, ele pode dar negativo, por isso a gente não pode confiar só no teste, temos que levar em consideração o contexto da pessoa, os sintomas da pessoa e o resultado do teste para definir qual a situação dela", orienta o consultor.  (O Povo - é parceiro de oxereta.com)