COVID-19 NO CEARÁ

Casos de Covid-19 no Ceará mais que triplicaram na primeira semana de janeiro

Em comparação a dezembro, houve alta de 216%; mortes também cresceram, mas em menor proporção

Fernanda Barros/ Especial Para O Povo
Filas se formam no novo Centro de Testagem Covid, em decorrência do aumento de casos de Covid-19. Movimentação intensa de pessoas esperando pela testagem, que está sendo realizada no Hotel Excelsior, localizado no Centro de Fortaleza

O número de casos confirmados de Covid-19 na primeira semana de 2022 apresentou crescimento de 216% em relação à primeira semana do mês anterior. Segundo o painel IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), entre os dias 1º e 8 de janeiro, o Estado registrou 3.157 novos diagnósticos positivos para a doença, mais que o triplo do total verificado no mesmo intervalo de dezembro, que somou 997. Em média, foram 394 casos contabilizados a cada 24 horas considerando todos os 184 municípios cearenses.

Também houve alta no registro de mortes, que passaram de 16 para 19 no mesmo período avaliado, crescimento de 18,75%. A maioria dos óbitos aconteceu em municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (11), seguida pelo Cariri (4) e Sertão Central (2). As regiões Litoral Leste e Norte tiveram uma morte confirmada cada.

Embora evidenciem que a pandemia ainda é uma realidade, os números de agora são bem melhores do que os registrados no começo do ano passado. Segundo os indicadores do IntegraSUS, na primeira semana de 2021, o total de mortes confirmadas havia chegado a 127, seis vezes maior do que as estatísticas atuais. Àquela altura, no entanto, a campanha de vacinação contra a Covid-19 ainda não tinha começado no Ceará e em nenhum outro Estado do Brasil.

No geral, considerando os quase um ano e dez meses de pandemia, o Ceará soma 962.200 infectados pelo novo coronavírus. Desses, 881.457 já estão recuperados, número que corresponde a 92% do universo total de contaminados. Desde o início da crise sanitária, 24.842 cearenses perderam a vida em decorrência da doença respiratória. Com isso, a taxa de letalidade — que mede a proporção de mortos no grupo de casos confirmados — chega a 2,6%, um pouco abaixo da média nacional, que é de 2,8%.

Mesmo com o avanço da vacinação e a melhoria nos indicadores, o Ceará ainda tem cerca de 55,9 mil casos ativos do novo coronavírus. A estatística leva em conta apenas os pacientes que ainda estão com a infecção e que podem transmitir a doença a outras pessoas, excluindo do cálculo os recuperados e mortos, que também fazem parte do número geral de contaminados.

Neste domingo, 9, o Ceará voltou a atingir indicadores preocupantes de hospitalizações envolvendo pessoas contaminadas com a Covid-19 ou que sofrem de outras infecções respiratórias, como a Influenza A, que se espalha em ritmo acelerado no Estado desde a introdução da variante H3N2, em meados de dezembro do ano passado. Dados do IntegraSUS atualizados às 16h11min mostravam que 64% das UTIs adultas na rede pública estadual estavam ocupadas. Esse é o maior nível de ocupação desde o dia 5 de julho de 2021 (66%), quando a segunda onda da pandemia começava a perder força.

É preciso considerar, no entanto, que à época, o Estado dispunha de aproximadamente mil unidades de terapia intensiva em toda a rede de saúde. Com a redução progressiva das taxas de contaminação, a oferta começou a ser diminuída a partir de agosto. Hoje, o número total de leitos é 110, mas a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) já anunciou que tem capacidade de ampliar o quantitativo caso a demanda continue crescendo.

Em relação às enfermarias, também houve aumento na ocupação dos leitos nos últimos dias. O percentual médio, que era de 24% em 1º de janeiro, passou para 42% neste domingo, 9. Em algumas unidades, a capacidade máxima já foi atingida. É o caso dos Hospitais Regionais Norte, em Sobral, e do Sertão Central, em Quixeramobim, ambos com todos os seus dez leitos ocupados. Na Capital, o maior nível de lotação é registrado no Hospital Leonardo Da Vinci, onde apenas três das 31 vagas de enfermaria estavam sem pacientes. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)