INFLAÇÃO

O custo da cesta básica já compromete 57,7% do salário mínimo em Fortaleza

Para garantir a cesta de 12 produtos, em abril, o consumidor precisou desembolsar R$ 647,63, segundo levantamento do Dieese

Thais Mesquita/O Povo
O óleo de soja continua sendo um dos grandes vilões nos aumentos dos preços dos alimentos

Garantir a alimentação básica está exigindo cada vez mais do bolso dos fortalezenses. Pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que o conjunto dos 12 produtos que compõem a cesta básica registrou uma inflação de 1,99% em abril, em relação ao mês imediatamente anterior. Em um ano, a alta chega a 23,30%. 

Para garantir a cesta básica, o consumidor em Fortaleza precisou desembolsar R$ 647,63. São R$ 122,37 a mais do que era preciso pagar em abril de 2021 (R$ 525,26). No semestre, a variação chegou a 14,84% (R$ 563,96).

Comparando o custo da cesta com o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (7,5%), a pesquisa mostra que, em Fortaleza, o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em abril, 57,77% do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta.

Considerando o valor e tomando como base o salário mínimo vigente no País, de R$ 1.212,00 (valor correspondente a uma jornada mensal de trabalho de 220 horas), pode-se dizer que o trabalhador teve que desprender 117h e 34 minutos de sua jornada de trabalho mensal para essa finalidade. O gasto com alimentação de uma família padrão (2 adultos e 2 crianças) foi de R$ 1.942,89.

No mês de abril, a inflação nos preços da cesta básica dos fortalezenses foi influenciada pela alta nos preços de onze produtos da cesta, dentre eles, destacam-se: o óleo (8,23%), o feijão (6,31%) e o pão (5,84%). O único produto a registrar uma baixa no preço foi a banana (-1,74%).

Já na série de 12 meses, dos produtos que compõem a Cesta Básica, o único item a apresentar redução no preço foi o arroz (-9,37%). Vale lembrar que esse foi um dos itens que mais encareceu em 2021. Neste ano, os maiores vilões são o tomate (128,07%), o café (78,26%), o açúcar (37,26%) e o óleo (37,01%).

Cenário Nacional

O impacto do encarecimento dos alimentos sobre a renda não é sentido apenas em Fortaleza. Em abril, o valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em todas as capitais pesquisadas pelo Dieese. Entre março e abril, as altas mais expressivas ocorreram em Campo Grande (6,42%), Porto Alegre (6,34%), Florianópolis (5,71%), São Paulo (5,62%), Curitiba (5,37%), Brasília (5,24%) e Aracaju (5,04%). A menor variação foi observada em João Pessoa (1,03%) e, em seguida, foi Fortaleza.

São Paulo foi a capital onde a cesta apresentou o maior custo (R$ 803,99), em abril, seguida por Florianópolis (R$ 788,00), Porto Alegre (R$ 780,86) e Rio de Janeiro (R$ 768,42).

Nas cidades do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente das demais capitais, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 551,47) e João Pessoa (R$ 573,70). A comparação do valor da cesta em 12 meses, ou seja, entre abril de 2022 e abril de 2021, mostrou que todas as capitais tiveram alta de preço, com variações que oscilaram entre 17,07%, em João Pessoa e 29,93%, em Campo Grande.

Nacionalmente, dentre os produtos que mais subiram de preço, está o óleo de soja. As variações oscilaram entre 0,50%, em Vitória, e 11,34%, em Brasília. “Os altos preços internacionais e a elevada demanda externa por óleo de soja pressionaram as cotações no varejo de todas as cidades”, explica o órgão.

A elevação no preço do quilo do pão francês também chama atenção. As altas mais expressivas foram observadas em Campo Grande (11,37%), Aracaju (9,70%) e Porto Alegre (7,07%). Também a farinha de trigo, coletada na região Centro-Sul, apresentou elevações significativas em quase todas as capitais, com destaque para as taxas de Belo Horizonte (11,08%), Porto Alegre (10,07%) e Brasília (9,54%).

“Houve redução da oferta de trigo no mercado externo por conta do conflito entre a Rússia e a Ucrânia; e, internamente, a valorização do dólar em relação ao real fez com que o trigo importado chegasse mais caro ao país”. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)